Postagem em destaque

Ecossistema alterado

Desde que me mudei para o Rio grande do Sul, comecei a "colecionar" os pássaros, borboletas, insetos e outros animais da região. E...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Como ganhar dinheiro na Internet

Como ganhar dinheiro (rápido/fácil) na Internet e outras frases do gênero disputam os primeiros lugares das mais acessadas nos sites de busca, especialmente no Google onde mal se começa a escrever a palavra ou frase e ele já completa com as possibilidades mais populares na Web. E tem realmente muita gente ganhando dinheiro rápido e fácil na net, mas fazendo o quê? Eis a questão. Além de publicidade em blogs, sites e agora até em redes sociais, tem os anúncios do Google que paga-se para ser listado entre os 10 primeiros, os 20, os 30, no máximo até entre os 50 primeiros, porque além disso, dificilmente um cidadão comum acessa. Ou então, para aparecer do lado direito da página da busca, tendo ou não a ver com o assunto da mesma, simples espaço de propaganda, como nas tradicionais revistas, onde se está lendo um artigo sobre política e ao lado tem anuncio de comida, calcinha, carro, ou qualquer coisa que tenho pago para estar lá e desviar a atenção do incauto leitor. O truque é velho, mas a roupagem é nova!
E não se paga pouco como na mídia tradicional. Mas dizem que com isso seu site/blog/página passa a ter x acessos por dia, e com isso, pode-se faturar alto, com propagandas, prestígio e venda de produtos e/ou serviços. Entretanto, o mesmo Google e outros sites de busca que hoje vivem dessa propaganda massiça, pagam usuários por clique para "clicar" nos tais sites/blogs/páginas, contabilizando x acessos por dia. Ora, paga-se para ficar conhecido e ter prestígio, mas na realidade o que se tem são apenas cliques que podem ou não significar a compra ou  interesse no produto. A maior parte dos cliques que são contabilizados provém destas pessoas que são pagas apenas para isso. Logo o cliente está jogando dinheiro fora, pior do que com mala direta ou folder.... ele está pagando para uma "máquina" , um "robô" (humano ou não) acessar a página, falsificando a análise baseada em números que estes sites dão para o cliente, comprovando que está tendo um bom resultado. Todavia o que se tem na verdade são apenas números de cliques e não acessos reais, o que provavelmente não interessa para a maioria que quer vender algo na internet.
E é nisso que está baseado todo este alarde e propaganda enganosa de como ganhar dinheiro fácil com a Internet, dando origem a verdadeiros "gurus" do marketing digital que, estes sim, estão enriquecendo às custas da desinformação de como realmente funciona o sistema da rede e toda esta propaganda virtual. Para estes, o que vale realmente são os números. E nessa matemática louca cabe tudo, de estatística a fórmulas logarítmicas que pretendem dar conta do perfil (psicológico) do consumidor virtual.
Em meio a isso tudo, surgem marqueteiros da pior espécie de marketing, baseados não na propaganda em si, nos seus princípios de concorrência e criatividade, mas em estudos de psicologia de massas e behaviorismo imediatista que expõem os traços do comportamento humano diante de determinados estímulos mentais e no estudo de mecanismos de associação frente a tipos de discursos promocionais. Tudo mecanica e matematicamente estudado, porém que foge do princípio ético da venda e do mercado.
O pseudo-guru, ex-engenheiro e analista financeiro, Erico Rocha vem espalhando um curso a preço exorbitante (tendo em vista a realidade do mercado brasileiro), apregoando ensinar essas técnicas de lâmpada mágica, através de uma chamada Fórmula de lançamento que promete ao sujeito ganhar 6 dígitos em 7 dias, ainda que o mesmo não tenha nem produto, nem serviço a oferecer. Ele, Erico Rocha e outros associados a ele que anunciam seu curso em seus próprios sites/blogs em troca de vultuosos percentuais, é o guru da enganação, atraindo inclusive pessoas honestas que realmente possuem produto, gravando depoimentos destas pessoas, induzindo que eles enalteçam a fórmula de lançamento dele. Estes videos são bem maneirosos, tendenciosos, com questões direcionadas a obter respostas previsíveis a fim de garantir a credibilidade da tal fórmula mágica e baseia-se em gatilhos mentais que nada mais são que brechas subliminares comuns à mente humana diante do ato de consumir, em especial, algo novo. Ele ensina inclusive a como "fabricar" prestígio e credibilidade a fim de melhor ganhar a confiança do internauta.
O negócio é mais que maquiavélico, é diabólico  pois pega a maioria desinformada da população brasileira e da inconsciência típica do cidadão comum. Ele mesmo, o Erico Rocha, não criou este sistema que ele diz ser a solução pra todos os seus problemas financeiros. Ele apenas traduziu (se foi ele mesmo que fez!) para o vernáculo o que aprendeu de um desses gurus americanos (também sem caráter ) que pretendem apenas vender qualquer coisa, nem que seja um terreno na Lua ou uma passagem de ida e volta a Júpiter. É o mercado em função do mercado, marketing do marketing como o ouroboros.
A tal fórmula se baseia num esquemas de videos e pdfs(se houver e se der ao trabalho), onde o "vendedor" aprende a falar muito, por cerca de 15 a 20 minutos, mas sem dizer coisa alguma, numa sucessão de promessas que serão reveladas no próximo, no próximo até que o indivíduo, cheio de curiosidade compre o "curso" ou produto. Os emails que são fruto de páginas de captura são um amontoado de coisa alguma, e tem quase todos o mesmo formato e dizeres, mudando apenas o nome do santo e seu  produto. O discurso dos mesmo estão baseados nos principais problemas do ser humano - saúde, amor e prosperidade. As promessas são no estilo Polishop e outras da TV tradicional - bonus, brindes, descontos vultuosos e ofertas irrecusáveis. Tudo isso oblitera o discernimento do cidadão e acaba induzindo forçosamente a compra do tal produto por causa das inúmeras "vantagens" que nada mais são que o próprio produto desmembrado em pedaços. O desconto é do tipo pior que final de feira livre, pior que liquidação de shoping - coloca-se o preço "real" nas alturas e apresenta um desconto totalmente absurdo que beira a faixa de mais de 500%, às vezes. E tudo isso é oferecido, sem critérios para o Universo de milhares de pessoas.
Da última vez que recebi um email desses, do sr. Erico Rocha, percebi nas entrelinhas que ele tinha faturado muito mais que 6 dígitos já que é o pai da criança e seu curso está na faixa dos 4 dígitos. Ora, para ele foi fácil alcançar os 8 dígitos  em uma semana e assim mostrar quão poderosa é sua fórmula mágica. É no mínimo vergonhoso, ignóbil e inadimissível se pensarmos na nossa realidade brasileira e na crise internacional do capitalismo que assola os países não só do 1º mundo, mas principalmente os de 3º. Ele ainda esnoba nun video gravado no terraço de um café caro e famoso de Brasília, dizendo que trabalha onde quer, a hora que quer, como e quando quiser, inictando aos seus possíveis compradores a ambicionar a mesma condição.
A propaganda tem uma ética, tudo no mundo tem (ou pelo menos tem que ter este princícpio regulador) e não está presente no marketing, mormente este tipo que começa com frases e promessas pomposas, relacionando vantagens inconcebíveis para quem adquirir o tal produto. E vemos hoje este tipo de marketing invadir todos os campos da vida humana - social, política e pessoal, completamente alijado de qualquer princípio ético ou moral, calcado apenas no mercado, ou seja, no consumo imediato sem reflexão. É exatamente isto que está agora circulando pela Web que deixa a tarefa de discernir o que realmente presta nos sites e blogs, em meio aos produtos e serviços anunciados, cada vez mais difícil. Como ganhar dinheiro rápido (fácil) com a Internet, trabalhe em casa na hora que quiser e quantas horas quiser, fature 6 dígitos em 7 dias... são os slogans da Fórmula de lançamento, a fórmula do sucesso que talvez venda até a mãe, mas com certeza não entrega!
Enhanced by Zemanta

domingo, 22 de setembro de 2013

NOVO GÊNERO LITERÁRIO?

    As grandes e médias editoras não cessam de manipular o imaginário das pessoas, inventando gêneros que nada tem a ver com a evolução ou progresso da Literatura Universal. Editados para fins comerciais, os gêneros criados dentro de grandes escritórios determinam o que vai ser consumido, lido ou não, pela maioria das pessoas. As tiragens são de milhões de exemplares, já traduzidos para os principais idiomas do mundo. Ainda nem chegaram às Livrarias e já saem com a frase marqueteira: um milhão de cópias vendidas.
    Em contrapartida, editoras nacionais, menores ou iniciantes, aderem o modelo a fim de angariar fundos rápido e enriquecer, não há outro motivo para que se dediquem todos ao mesmo gênero. Fazendo uma retrospectiva, este tipo e outros menos divulgados, sempre fizeram as festas das massas. Vendidos em feiras, publicados em jornais menores como folhetins, o gênero “dama das camélias”, erótico, western e pseudo-policial, era vendido barato, aliás, bem barato, custando cerca de um ou dois reais no máximo e não o que custam hoje – observem a manipulação! Não tinham nenhum cuidado literário nem vocabular, ao contrário, primando pela simplicidade para ser facilmente digerido pelas classes mal alfabetizadas, o que chamamos hoje de analfabetos funcionais, era um passatempo em ônibus superlotados, trens e filas de espera intermináveis onde só o povão ficava.
    Comparando à sétima arte, o gênero erótico ou pornô, sempre foi veiculado com restrições de idade e disposição nas locadoras. Nunca foi enaltecido como o gênero de arte, tendo o seu devido lugar dentro do espectro cinematográfico - sub-arte. Caracterizam-se por enredo pobre, visando um único fim, o ato sexual em si, seja de que forma ou natureza for.  O mesmo não acontece com os livros que estão expostos em todas as livrarias na cara de todos os clientes e adolescentes, que mal conseguem se afirmar no mundo ou ter ideias. São capturados pelo instinto e pior, sem necessidade, já que os hormônios dão bem conta do assunto. Os adolescentes e jovens não precisam de estímulo para exercer sua sexualidade. O que ocorre, então, é uma hipertrofia que canaliza toda a atenção e energia para um só fim. E essa mesma sociedade é que combate a gravidez e sexualidade na adolescência além de outras consequências nefasta do sexo indiscriminado, com programas escolares e sociais. Hipocrisia, apenas isso, hipocrisia!
    As mães (porque esse gênero está como sempre muito mais direcionado ao público feminino, hoje simbolizando a liberdade da mulher!) são as primeiras a lerem e passarem para suas filhas, como se não tivesse nada demais elas serem mentalmente mais estimuladas do que já são hoje. E a questão que se coloca é a seguinte: com tanta liberação através de todos os meios de comunicação e agora arte, para que tanto estímulo numa só direção, já que o texto não acrescenta nada além do pobre enredo “picante” com descrições mais ou menos explícitas de jogos sexuais, mudando o nome da personagem, seu endereço e lugar de trabalho... no mais, tudo igual?    Façamos livros sobre o ato de comer, sobre gula, sobre glutões, sobre pessoas gordas e compulsivas... creio que não daria muito certo, afinal, são pouco os que aguentam ultrapassar os limites da normalidade, da satisfação estomacal. Mas sexualmente falando, nada é o bastante e cai-se no vazio extremo com provocações constantes do sexo pelo sexo. Há blogs, páginas de face, digestivos culturais escritos por jornalistas e porfessores de literatura (pasmem!) que enaltecem o gênero com receio de caírem no ostracismo, no esquecimento, no remar contra a maré, hipervalorizando os romances que chegam como comidas enlatadas, fast-food, prontinhas para consumo rápido e imediato. Foram-se anjos, vampiros, lobisomens e súcubos... Venha e perpetue-se a baixaria erótica.
    Como o objetivo básico e único das editoras é ganhar dinheiro, faturar lucros enormes (exorbitantes) sempre crescentes, este gênero está fadado a permanecer, com variações idiotas do mesmo tema, pois que, no fim, falar de sexo pelo sexo em si, vira uma mesmice. E os autores ou autoras, já repararam nos nomes - alguns são grotescos - e a maioria não existe. São escritos por grupos de funcionários que trabalham como copy desk nas grandes editoras para sobrevivência... alguns são jornalistas, mas se escondem atrás desses nomes de efeito. O mesmo não ocorre com a boa e verdadeira literatura, essa sim, totalmente esquecida além de perdida, segue seu rumo no anonimato, percorrendo outros caminhos de divulgação.  Ninguém arrisca mais a inovação artística como se tudo já tivesse sido feito e escrito... não há mais manifestos, propostas, movimentos artístico-literários...   
Entretanto, quanto mais veiculam e adotam essa baixa literatura, menos capacidade de absorver a boa literatura e os clássicos se desenvolve. E pensar que Ítalo Calvino e outros poucos grandes nomes da Literatura já gastaram tempo mostrando e provando a importância de se ler os clássicos, seja de literatura ou mesmo de Filosofia. E os compêndios do tipo 100 livros para se ler antes de..., 100 melhores contos universais, 100 melhores isso ou aquilo, em nenhum consta esse tipo de leitura.
    Outra hipocrisia: os jovens passam o período escolar quase todo sem leitura, com baixa literatura, lendo literatura estrangeira enlatada, quando leem,  e na véspera do vestibular a cobrança é pelos clássicos. Incoerência, absurdo, insensatez total. Em alguns meses, o vestibulando vai ler e absorver uma boa literatura, assim de pronto, sem comentários, sem estudo, depois de ter deixado seu cérebro frouxo anos seguidos? Quem orienta isso? A troco de que esse disparate, esse abismo, essa burrice para não dizer maldade? Os mesmos professores, que não adotam leituras decentes durante todo o  ensino médio, não trabalham os textos em sala de aula com mil desculpas, são os que fazem os programas para o ingresso nas Faculdades, quando não ajudam na elaboração das provas. Resultado: a minoria elitista, rica, de colégios particulares com ensinos diferenciados ingressam nas grandes universidades, mormente as públicas. Ao resto, sobra o pagou-passou.
    Bom, minha crítica está longe de ser puritana ou saudosista. É fortemente política com base filosófica, psicológica e pedagógica. A quem interessa esse grande circo armado? A quem interessa essas manipulações das massas, incluindo cada vez mais setores da sociedade? Um pouco de leitura de História séria traria a resposta para a ponta da língua.

Cris Danois
 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

FIM DO LIVRO E DA LEITURA?



     Desde o início da chamada era digital, vem-se comentando, especulando, prevendo, induzindo o fim do objeto livro. Uma das maiores invenções da Humanidade, o livro vem se desenvolvendo há séculos e podemos dizer, ainda não terminou, não esgotou todas as possibilidades e surgiu a versão digital para competir com ele. Entretanto, apesar dos maus agouros, acredito na permanência do livro por muito tempo. Grandes autores, professores, filósofos e pensadores corroboram esta ideia, vide o livro de Umberto Eco sobre a questão – O Fim do livro (2010). Temos que repensá-lo, que refazê-lo, mas ainda é um dos melhores objetos para leitura e desenvolvimento do conhecimento humano.
    O computador como veículo seja em que formato for, ainda é muito incomodo para leitura. Em termos de pesquisa e comparações fica inviável. Apesar do grande número de possibilidades em conteúdo, a maioria é repetitiva e grande parte não confiável ou parcial. Não consigo ver outra forma mais confortável e dinâmica de pesquisar sobre um assunto que vou escrever que ter uma mesa cheia de livros abertos, poder virar páginas, marcar as páginas ou partes do texto a citar, colocar pesos de papel, canetas ou lápis entre elas... enfim, interagir com os livros a fim de concluir alguma coisa, de produzir outro texto, outro livro, acrescentar mais um ponto no Universo do conhecimento.
    Muitos reclamam do custo do livro, das consequências para publicação dos mesmo, mas não se pensa no quanto se ganhou e se ganha com sua publicação. Não falo apenas economicamente, mas social e espiritualmente. Não são os livros os maiores responsáveis pelo desmatamento. Não são os livros os responsáveis pelo aquecimento global, pela poluição do ar e das águas, pela fome e miséria devido a má distribuição da renda do mundo, pelas doenças terminais, pelas guerras. Ao contrário, acredito que se a Humanidade tivesse consumido mais livros, conhecesse mais sobre o mundo em que vivemos e nós mesmos, muitos problemas seriam resolvidos ou até mesmo deixariam de existir.
    O objeto livro permite, além da viagem da leitura, a liberdade de escolha para sua fruição – pode-se ler onde quiser, como quiser, em qualquer lugar independente de energia elétrica ou conexões. O lançamento do Kindle da Amazon é até interessante, mas não permite uma série de movimentos típicos de um leitor atento e interessado. É cansativo, apesar de ser menos que a tela de um monitor ou notebook. Mesmo no tablet, cansa-se mais que a leitura feita no papel. Deixo esta indicação para que os médicos e pesquisadores examinem a questão isentos de propinas. Os outros que vieram em seguida, são inferiores. Os e-books são caros para o que são e cansam da mesma forma, além de muitos estarem incompletos, não sei porquê. Tem ainda o caso dos livros editados antes desta febre.
    Quanto aos livros infantis, estes não serão substituídos tão cedo. Ao contrário; o nível de desenvolvimento gráfico dos livros infantis tem crescido tanto que hoje só não começa cedo a leitura quem realmente os pais não querem ou não deixam. Os livros têm até cheiro... só falta sabor. Podem dormir neles, tomar banho com eles, comer com eles, fazer tudo que um amante da leitura sempre quis fazer com seus livros de papel. São interativos, respondem perguntas, desafiam o leitor além de contar a história. E as ilustrações? Este é um mundo à parte que convive com o universo do texto escrito que também tem sofrido alguns embates e preconceitos. Mas nada como um livro bem ilustrado. Um ilustrador alemão, que não me recordo o nome agora, depois de diversos livros ilustrados à mão, fez sua incursão na ilustração digital. Sua experiência e vivência foram relatados na última feira de livro infanto juvenil de Frankfurt: ele detestou a experiência, como usuário e como fruidor. O resultado final ficou “clean” como dizem, “perfeito”, bem realista, mas perdeu em conteúdo humano... não respira, diz ele.
    O computador com suas variantes, os programas e softwares foram desenvolvidos como ferramenta, não como um fim em si mesmo. Eles ajudam a realizar determinadas tarefas muito bem e melhor, mas aquilo que é da esfera do humano, do lado transcendente, impalpável, sentimental do ser humano, somente o homem pode fazer e realizar colocando sua alma no que faz. É como dizer que o chat substitui o bom bate-papo! As ilustrações vibram, conduzem os olhos, a alma do leitor, traçam caminhos onde quem lê, viaja. Acrescentam aos textos imagens suprimidas, implícitas, deduzidas.
    Os números e a estatística indicam a questão do livro de forma positiva. Cresceram o número de editoras, no Brasil e no mundo. Cresceram o número de publicações. Aumentou o número de Livrarias, feiras e eventos de livros. Aumentou a oferta de livros abrangendo uma gama maior de empresas que não são livrarias. E, apesar do brasileiro continuar a ler muito pouco (1 livro por ano!), o número de leitores estrangeiros aumentou consideravelmente.
    Logo, podemos concluir que o mercado do livro, seja para o editor, o distribuidor, o livreiro, o autor, o ilustrador e os empresários ligados a área, está em crescente ascensão. Ainda não chegamos ao ponto ideal no Brasil – estimular mais a leitura, a compra do livro, o ato de fazer uma pequena biblioteca particular de gosto próprio... tudo isso precisa passar pela Educação. Principalmente, o ato de pesquisar que, há algumas décadas era baixo e hoje, apesar de ter crescido com o incremento das Universidades, é de baixa qualidade, precisa ser ensinado e cultivado desde o ensino fundamental, com ênfase nos cursos superiores. Precisamos formar uma nação de consumidores de livros, pois dentro deles está toda a cultura e respostas possíveis às questões milenares e atuais do ser humano.
   
   

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Seres fantásticos, maravilhosos e sobrenaturais (I)

O homem sempre conviveu com sua imaginação de uma forma bastante peculiar - personificando. E deu forma, vida e nome a seres imaginários, quer fossem deuses ou não. Desde o deus único a outros milhares de deuses, o homem os cunhou à sua imagem e semelhança. Deus e homem, duas faces da mesma moeda. Entretanto, justamente por causa do monoteísmo, em especial, o judaico-cristão, todos os outros seres, com exceção dos anjos, foram depreciados e forjados de forma deprimente. O diabo é uma figura histórica com um desenvolvimento extraordinário e bastante interessante. Entretanto, isso é assunto para uma outra postagem, que eu sei que tomará também mais de um capítulo (se assim podemos chamar).
Percebi um movimento curioso atualmente no que diz respeito a algumas dessas figuras, especialmente: lobisomens, vampiros e fadas. Ou muito me engano, mas os vampiros e lobisomens começaram a aparentar uma bela figura enquanto as fadas (e alguns outros seres chamados seres da natureza) passaram a ser identificadas com figuras disformes e feias, algumas chatas, pervertidas, outras sedutoras mais iguais às bruxas, enganadoras.
Não tenho resposta para isso de uma forma definitiva, pois esse movimento está ligado não apenas ao inconsciente coletivo mas também as formas de manipulação das massas através do imaginário e do religioso. Não obstante, percebo que, maquiavelicamente, aconteceu uma inversão. O que tinha aparência e conteúdo maléfico, tornou-se bonito e sedutor e não tão maléfico assim, ao contrário, imbuiu-se do espírito protetor antes exclusividade das figuras angélicas. E os seres elementais da Natureza - fadas, gnomos, elfos e congêneres - passaram a ter uma conotação assustadora, traiçoeira, vil, além de tomarem formas grotescas como se a própria Natureza assim fosse, mal formada, deformada, incompleta e bizarra.
A onda mística e fantástica tomou conta do mundo. Mas o mundo anglo-saxão, especialmente, ainda vê este "mundo" de uma forma negativa, ligada à magia condenada pela Igreja Ocidental Cristã, seja ela de que denominação for. O afastamento do homem em relação à Natureza pode ter sido um dos motivos para que este fenômeno começasse a ser moldado. Todavia, por que as fadas e outros seres considerados outrora como inofensivos, teriam tomado uma forma negativa agora? Nada aconteceu no mundo, não houve nenhuma mudança significativa no mundo material, natural ou humano e, sim, a mudança ocorrida é de mentalidade. Estamos nos afastando cada vez mais da natureza, maltratando-a, diferenciando-nos de nossa origem biológica e natural e caminhamos na direção de um artificialismo gritante, seja de ordem virtual ou real. Cidades cada vez mais informatizadas e mecanizadas, ou melhor, robotizadas, cheias de parafernalhas eletrônicas distantes do campo que as rodeia, das praias e montanhas que as cercam, são o cenário onde habita o Homem. Tudo que é natural é estranho e qualquer ser deste mundo é um "bicho" e, qualquer "bicho" é uma ameaça ao humano, sendo microscópico ou macroscópico.
Porém, onde se encaixa a figura do vampiro e do lobisomem neste cenário. Podemos entender porque as fadas e outros seres elementais tornaram-se ameaçadores, mas por que os outros tornaram-se "amigos"? Qual o objetivo de manipular estas figuras imaginárias tornando-as simpáticas ainda que sempre serão assustadoras? Fica a pergunta no ar e a tentativa de resposta para o próximo post!



terça-feira, 26 de março de 2013

Poesia ontem e/ou hoje (?)

Estava assistindo um documentário sobre Carlos Drumonnd de Andrade ontem através da TV Brasil e nada me surpreendeu... realmente, ainda não entendem os poetas, e fazer documentário de artista é matá-lo. Sei que todo filme, toda interpretação é um recorte, mas... recortar a vida de um artista em uma hora e meia e querer dar conta não só do poeta mas de sua obra? Não conseguiram, como muitos não conseguem... são melhores os filmes romanceados, mas é preciso fazer um senhor enredo sobre o poeta ou artista e incluir pelo menos uma grande parte de sua obra! Poderia citar grandes filmes aqui, tais como: A morte de Federico Garcia Lorca, Modigliani, Tous les Matins du Monde, Frida, Amores de Picasso, Chaplin, Camile Claudel, Caravaggio, Pollock, As Sombras de Goya, Moulin Rouge, Rembrandt, O carteiro e o poeta, Sociedade dos Poetas Mortos, Poesia, Possessão, etc, etc...
Bem, o que me impressionou neste documentário sobre Drumonnd foi a única leitura adequada da poesia de Drummond, feita, é claro, por uma poetiza, Adélia Prado. Quando ela leu a poesia que ela escolheu, o sentimento transbordou pelas palavras, atravessou o vídeo e me atingiu... simples assim! Belo assim! poetas sabem ler poetas, com sentimento, com a verdadeira matéria e sentimento de que é feita a poesia. Muitos tentam interpretá-la e poesia não foi feita pra ser interpretada, senão, seria dramaturgia, peça de teatro... Outros tentam contar uma história não só acerca da poesia, mas transformá-la num pequeno conto, encenando trechos poéticos... triste tentativa, fica péssimo. Poesia não é conto nem romance. Quando falam da vida do poeta, buscam significados, situações, circunstâncias excepcionais que justifiquem o fato do poeta ser assim, poeta, e nada encontram, apenas a mesma vida simplória e cotidiana como de toda a gente. Quem conheceu Clarice sabe, que era uma dona de casa, esposa e mãe, como tantas outras, preocupada com o marido, os filhos, comida, casa, roupas... mas o valor transcendental de Clarice não estava à mostra, não se encontrava à vista e sim no seu interior, fervilhava dentro do ser dela mesma, em tamanha ebulição que transbordava em suas poesias e narrativas, e, para quem a conhecia de perto, pelos olhos. mas todo este significado e potencial não está na vitrine fácil do shopping, tem que ser descoberto e leva tempo. Daí a dificuldade hoje de se descobrir a essência das poesias e dos poetas, precisa de tempo! Não pode ser absorvido em minutos ou algumas horas... são dias, anos... é preciso se debruçar e esperar até que o significado venha, mas vale o tempo de espera. depois de alcançado, ninguém lhe rouba o tesouro e você ficou mais!
Carlos Drumonnd de Andrade viveu um romance especial em toda a sua vida, durante 30 anos, viveu uma vida de amante com uma mulher (não a sua esposa) extraordinária que soube compreender e alimentar o seu ser poeta. Mas o documentário nem mencionou isso. Censuraram a vida do poeta depois de morto, que hipocrisia! Falaram, en passant, das poesias amorosas e eróticas dele, mas não falaram da musa inspiradora, e isso ficou pior.... pareceu uma fraqueza dele, do tipo, "vejam, ele também escreveu algumas pornografias que nós censuramos para que vocês não se decepcionem com o grande poeta puro Drumonnd!"
As tais declamações interpretadas das poesias dele ficaram horríveis, canhestras, medíocres... e não adianta vir com o argumento de que para o povo isso basta e está de bom tamanho, que já não dá mais! Com a desculpa de traduzir todo conteúdo para o povo, o que se tem é a massificação de tudo, a mediocrização de tudo que é nobre... e eu nunca me conformei com isso, pois sempre houve povo e sempre ele consumiu o que era produzido por grandes poetas e artistas da época. Afinal, quem essa gente pensa que frequentava o teatro grego, a elite? Enganados; o teatro de Ésquilo, Eurípedes, Sófocles, Aristófanes e outros era assistido, absorvido pelo povo em geral, aliás, não havia tantas classes e categorias econômicas como existem hoje!
Mas, o que mais importa é que a poesia seja lida, lida e absorvida por quem deseja algo mais, quem deseja significado na vida, quem deseja decifrar o mistério da vida, quem almeja abrir os horizontes e romper fronteiras... quanto mais se lê poesia, mas as fronteiras são eliminadas, todas as fronteiras, entre homens, entre sociedades, entre países... Ler poesia também responde a existência cotidiana, ajuda a pensar as circunstâncias, promove o bem estar ao encontrar soluções, respostas para questões nossas, de poetas? não, questões humanas! A leitura da poesia deveria ser ensinada nas escolas, em momentos de prazer, deveríamos resgatar os saraus, as leituras coletivas, os grupos de estudos... enfim, em comunidade tudo fica mais fácil e é só começar.
E se não entendemos os poetas que nos antecederam, como queremos entender os verdadeiros poetas de hoje? O homem não pode se dar ao luxo de decrescer, de decair, de regredir; tem que avançar e isso não significa avançar apenas tecnologicamente, mas mental e espiritualmente. Temos que ser capazes de ler nossos pais, avós e bisavós com a mesma facilidade que nos lemos hoje! Debrucemo-nos sobre as obras tão férteis de nossos poetas, dos poetas de todo o mundo, belezas e verdades incríveis nos esperam. Leiamos mais poesia, evitemos as autoajudas, as análises, os ansiolíticos, os antidepressivos e outros remédios congêneres. Vamos conviver poesia, formar grupos, convidar amigos... vamos resgatar esse hábito saudável e não deixar que pequenos documentários satisfaçam nossa curiosidade, pois na verdade não satisfazem. Fiquem com uma poesia minha, do livro Ecos Eternos...

Hoje estou vencida como se soubesse a verdade
Hoje estou lúcida como se fosse o meu último dia
E não tivesse mais força ou vontade
Para lutar
Para dizer não

Para contrariar a rotina deste dia-a-dia!

Hoje estou como uma despedida
Debruçada na sacada da janela
Simplesmente assistindo uma partida
A partida diária que torna a vida dividida...
Hoje estou perplexa como quem encontrou o que procurava
Mas que depois esqueceu, de repente...
Hoje estou entre o que é real por fora
E o que é real por dentro
Hoje estou com a sensação de que tudo é sonho
Tanto que mais parece um pesadelo interminável
Porque não me deixa viver a vida...
Hoje parece que um martelo louco bate sem parar
Insistindo na mesma pergunta:
Onde está a falha que fará tudo ruir,
Como impedir o terremoto,
Como segurar as águas,
Como apagar os incêndios que virão?

Hoje estou impotente como todos os poetas
Impotente como todos os sábios...
Hoje não sou nada
Porque não serei nada
Não há o que ser
E não posso querer ser nada
Enquanto durar essa maçada de vida!


quarta-feira, 20 de março de 2013

Teoria da complexidade

 Há algum tempo, filósofos e sociólogos em busca de soluções e explicações para o mundo contemporâneo se depararam com uma complexidade social tamanha que começaram a teorizar por aí. O mundo civilizado atingiu tal complexidade que fica difícil teorizar sobre ele que não seja de uma forma trans e inter realidade. O próprio homem se tornou um ser mais complexo que as antigas teorias antropológicas e ou filosóficas postulavam. O homem não é só um ser social, político, religioso, relacional, emocional, racional, cultural, artístico, espiritual, biológico... é muito mais! E, apesar de existirem pessoas e teóricos querendo ignorar esta complexidade veiculando soluções simplistas e mesquinhas para os problemas humanos, temos que concordar com os grandes filósofos da atualidade, em especial Edgar Morin, acerca da complexidade e suas análises e propostas para o século XXI.

Portanto, como filósofa e escritora, como poeta e artista, penso na complexidade do mundo, na complexidade da vida, das pessoas e sei que simplificações não resolvem... tudo é mutável mesmo, tudo é vibracional... temos que nos alinhar e desejar o que queremos para nós, sem nos ocuparmos das más escolhas dos outros. Parece solidariedade, mas não é, é burrice mesmo. 
E agora, sem filosofias ou teorias...há muitos anos, ouvi de um Mestre que tentar resolver ou sofrer com os problemas alheios era só uma forma de nos desviarmos dos nossos... então, resolvamos primeiro os nossos, cada um resolvendo o seu da melhor maneira possível, então, as coisas melhorarão como um todo. O mundo, os homens ainda estão muito atrasados em termos de pensamento. Estamos na era das cavernas, especialmente no Brasil, sem Filosofia, com ideologias de todo tipo, sociologias redutoras e etc. Ainda estamos acreditando em destino, em deuses que nos manipulam... Entretanto, se tem alguém nos manipulando são(sic) a mídia e os políticos! E se o indivíduo é consciente disso, então, nada nem ninguém tem poder sobre seu destino! Façamos acontecer, já dizia meu amigo Vandré! Vamos repensar nossas vidas, nossas prioridades, nossos anseios, vamos reformar o mundo através de nossos pensamentos positivos e realizações fantásticas...vamos crer num mundo melhor e nos fazermos melhor para que isso aconteça. É isso! E a complexidade permanece, atuemos junto com ela e não em detrimento dela... ela nos define, nos contorna, nos significa, nos diferencia dos animais e das máquinas. Não ataquemos a complexidade, assumamo-la até as últimas consequências.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

POESIA HOJE!?

Há alguns meses li uma reportagem na Folha de São Paulo que remetia a outro jornal na Inglaterra que afirmava que a Poesia lida era melhor que leitura de um livro de autoajuda. Que a poesia consegue ir mais fundo na questão humana, que os poetas, em linguagem simples e curta, dá conta da essência da vida, com seus problemas e soluções possíveis. Que a poesia expressa uma linguagem única onde verdades cintilam e atingem o leitor,  e resolvem, sem ele perceber, suas dúvidas, suas questões, suas angústias... que a poesia era vital e que o mundo sem poesia se empobreceria irremediavelmente.
Li e concordei, li e concordo. É vital para o ser humano a Poesia. Mas o que acontece no mundo hoje em termos de Literatura? Só narrativas longas e de preferência de ação que abordem os problemas cotidianos ou que proponham outros hábitos, novos estranhos hábitos... narrativas longas e fantasiosas mais de entretenimento que arte ou conhecimento. Narrativas em milhões de tons de cinza que esvanece a verdadeira cor do ser!
Há poetas e há romancistas. Mas, infelizmente, há os escrevinhadores de textos que se rotulam de poetas ou romancistas, endossando a mafia do comércio livresco do país e do mundo, escrevendo o que é vendável, o que é consumível, digerível pela população. Nada muito ético, nada muito profundo, nada muito artístico. O trivial, leitura de aeroporto e rodoviária, transformada em best seller, literatura de passatempo no consultório do médico elevada a categoria de Literatura séria, sem ser, mas vendendo tanto quanto.
Qual o critério de distinguir uma literatura comercial da verdadeira literatura? A resposta é a que a verdadeira literatura dá ao ser... não se trata de contar uma história verídica ou ficcional, mas de através do texto tocar as humanidades existentes hoje. As histórias ditas baseadas em fatos reais encantam o público leitor, como se a Literatura tivesse que ter este compromisso e como se a falta deste compromisso comprometesse o tanto de realidade que se apresenta no texto, seja narrativo ou poético! Nem só de realismo vive o homem e a Arte. Ao contrário, sempre foi a Poesia com seu olhar oblíquo, com sua linguagem restrita e enxuta,  que deu conta de tudo que afligia o ser humano, desde suas lutas políticas a suas lutas existenciais, de suas lutas cotidianas a suas lutas amorosas...
Poesia é o Verbo feito Arte. É a linguagem clara e simples da Verdade do Ser. É o eco das humanidades feito texto. Poesia diária é essencial, extirparia doenças da alma e consequentemente as doenças do corpo. A Poesia lida com alma, porque feita de Alma, previne as doenças do espírito das quais nossa sociedade está cheia. “A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças”, explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.
Não foi há tanto tempo que alguns nobéis de Literatura foram poetas, tais como Yeats, Axel Karlfeldt, Gabirela Mistral, T.S. Elliot, Ramón Jimenez, Boris Pasternak, Salvatore Quasimodo, Saint John Perse, Pablo Neruda, Otávio Paz, Herta Muller entre tantos outros nomes ilustres. A poesia é uma linguagem universal e não apenas local. É uma linguagem sem tempo que transcende a época em que foi escrita e se atualiza a cada leitura contemporânea. Penso em Shakespeare, em Dante, em Boccage, em Camões, em Milton e mais ainda nos poetas gregos e romanos de antes de Cristo e nos textos poéticos contidos nos Vedas, na Bíblia, em especial o Cântico dos Cânticos e outras poesias que transcendem o universo da Religião e apontam verdade para um mundo sem fronteiras religiosas.
Enfim, a poesia é essencial. No início do século XX ela tornou-se forte com os movimentos de vanguarda e seus manifestos e veio forte até meados do século com suas revoluções linguística e estéticas, revelando as revoluções políticas históricas. Mas, o que aconteceu que pararam de ler poesia? Que armações do sistema foram feitas que pegaram todos os poetas desprevenidos e relegaram a poesia à literatura simplista e sentimentalóide de última categoria? Que mal faz a poesia ao Capitalismo selvagem, já que sabemos que muito mal faz aos regimes totalitários e exclusivistas?
Dizem que um livro de poesia não tem história, não tem ação. Isto porque não sabem ler poesia. A poesia contem todas as histórias e todas as ações estão inclusas nela no verbo feito substantivo, na substância mesma do ato poético. Portanto, começar o dia com uma poesia faz bem ao cérebro e a alma. Ler todos os dias e no fim de semana também grandes poetas, é melhor ainda. Fiquemos com a Poesia e livremo-nos dos remédios, das pílulas, dos livros de autoajuda e outras panaceias contemporâneas que em nada estão ajudando a Humanidade hoje. Fiquemos com a Poesia e nossas vidas serão mais belas, mais encantadoras, mais reais! Leiamos mais poesia e deixemos que as imagens nos levem para outros lugares ainda que apontem sempre paras o nosso mundo real. Fiquemos com a poesia, cantada ou não, nas boas músicas populares. Sem medo de ser feliz e poético. A vida é poesia porque misteriosa e transcendente, poesia é vida porque é lírica e épica, porque é coração e corpo, sentimento e ação. Poesia é a linguagem do ser humano... afinal, qualquer um conta uma história, mas poucos sabem escrever Poesia!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

DO FUNDO DO POÇO

Depois de mais um longo hiato finalmente senti aquela vontade de voltar a escrever, não que eu a tenha perdido, mas a vida caminhando de tantas e inesperadas formas, me levando a outros caminhos (ou pelo menos outras escolhas) me fizeram tantas vezes parar e começar novamente. Me baseio pelo título, como se de repente a ficha caísse, como se eu tivesse tido aquele insight. É preciso aprender a valorizar as coisas simples da vida... a lembrar com carinho do que já se viveu. Deixei de querer refazer o que ja esta feito e deixei de me preocupar com o que ainda vai ser feito (pelo menos tento...)
Já disse em algum lugar como é complicado pra qualquer um de nós imaginar, ou na verdade deixar de imaginar, como vai ser nosso futuro. Temos por habito planejar, sonhar, querer. Quando digo que deixei de me preocupar com o amanhã, não falo em abdicar de meus sonhos e desejos, apenas digo que viver o hoje o agora tem sido mais proveitoso. Não posso mesmo mudar o que está feito, mas posso valorizar cada experiência que já passei, tê-las comigo no agora e quando o amanhã chegar avaliar com toda carinho e cuidado que a situação exigir e por fim (com base nas experiências anteriores) tomar a decisão certa.

É complicado, por várias vezes achei que não daria certo, outras tantas me fizeram pensar que alguma coisa estava errada. Mas a grande verdade é que nosso momento muda a cada segundo, antes mesmo de eu concluir essa linha meu momento já mudou. Eu já deixei de ser a pessoa que era a segundas atrás e agora sou uma outra pessoa. Não porque seja diferente, mas porque estou vivendo algo diferente, mesmo que esse "algo diferente" seja apenas um andar do ponteiro do relógio, mesmo que seja apenas um segundo a mais na minha vida.

Tenho buscado nesses últimos dias aparar pontas soltas na minha vida, não que vá me acontecer alguma coisa ruim e eu queira resolver assuntos pendentes. Mas assuntos pendentes são pra serem resolvidos, caso contrário não seriam pendências. Quero ter no meu coração a sensação de liberdade, o transbordar de felicidade que tive no momento em que meu insight se manifestou. Quando percebi que não mais estava preso às amarras em que sempre imaginei que existiam. Todos nós temos nossas ligações, sejam antigas, recentes e as vindouras, somos por natureza sentimentais. Estamos às vezes ligados carinhosamente e tantas outras essa ligação é paradoxal, como se quisessemos distância daquela pessoa, sem perceber que continuamos ligados a ela.

Admitir que muitas desses problemas em nossas ligações acontecem por culpa única e exclusiva nossa é o passo mais dificil, engulir o orgulho é por vezes doloroso, mas abrir o coração é algo que não tem como medir, é uma sensação maravilhosa, indescritivel. Nem sempre é possível refazer essas ligações, mas podemos assim mesmo guardar conosco o aprendizado que nos fez desfazer essa ligação e ter também todo calor e carinho que ela um dia nos deu. O amor pode sempre ser moldado, transformado, recriado. Algumas vezes não podemos recriá-lo como era anteriormente, mas podemos igualmente amar e desejar que esse amor também alcance outras pessoas.

É muito dificil, muito mesmo. Mas desarmar-se é reconhecer que não somos poços de perfeição, que erramos mas principalmente que corrigir esse erro é apenas um passo que podemos dar, com toda simplicidade. Como a propaganda do plano de saúde, diga mais vezes que você ama. Depois de uma briga, sorria e abrace. Antes de dormir dê um beijo, ofereça um colo, um afago. Mas faça tudo isso, ou faça o que quer que lhe venha a cabeça com o coração, faça com amor. Faça porque é o melhor que você tem a oferecer a quem quer que seja.

Preciso dizer que te amo
Antes
que minha voz fique muda
Antes
que a lua se
E
as estrelas não mais brilhem no alto

Preciso
dizer que te amo
Antes
que nossa música acabe
E
teus braços desenlacem minha cintura
Preciso
dizer-te agora, que teu coração bate no ritmo do meu

Agora
que sinto teu cheiro, tua boca na minha pele
Agora
e antes que a nossa música acabe

Preciso
dizer que te amo
Antes
que o dia amanheça
Que
a tarde me envelheça

Preciso
dizer que te amo antes que meu amor cresça
E
para fora de mim... salte!
E
de mim se esconda no universo

Preciso
dizer que te amo
Agora
e antes de dizer-te outra vez.

Muitas pessoas estiveram (e estão) ao meu lado durante a caminhada, já escrevi alhures algo falando sobre o exercício de agradecer, mas queria aqui dedicar com todo carinho, tudo que escrevi, tudo que tenho vivido ultimamente a duas pessoas que movem meu mundo. Meu filho lindo Rodrigo e a meu companheiro das horas boas e difíceis. Agradecer à família do meu companheiro pelo imenso apoio que têm me dado nos meus momentos mais depressivos e tristes, mas, como dizem, é pra frente e para cima que se caminha. “Caminhante , não existe nenhum caminho... o caminho se faz ao caminhar!”

obrigado a todos que estiveram aqui e me prestigiaram com sua leitura ou comentário e por ventura ainda voltarão aqui.

Definir é limitar-se.