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Saúde e longevidade no século XXI

 Tudo bem que nascemos sem manual de instruções e logo de início ficamos a mercê das “regras” da família. Mas se você cresce e não está saud...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ou isto ou aquilo





Acho que nós ligamos muito para o resultado e esquecemos o prazer do percurso. Qualquer coisa que temos a intenção de fazer, ficamos concentrados mais nos resultados, no como vai ser, no se vão gostar, se vão reconhecer, etc do que no prazer de fazer por fazer, porque se ama fazer aquilo, porque se pensa e sente que aquilo é que faz com que você seja você e não o outro... Estamos sofrendo de uma doença imposta e disseminada pelas mídias, especialmente as micro mídias acessíveis a todos. Absorvemos uma ideologia que paira no ar – todos têm que aparecer, estar conectado, escrever, fazer vídeos... é uma febre que está levando o mundo ao constante estresse, uma ansiedade crônica que nem toda a meditação aliviaria!
 Eu sou do tipo que acredita que no universo não há lixeira, que tudo tem o seu lugar e que não adianta tentar jogar fora ou esquecer o que quer que seja, pois não será possível. O Universo é histórico ainda que atemporal. Memórias pairam  no espaço e tecem redes... Então: ainda tá valendo ler um bom livro tanto quanto assistir um vídeo viral no youtube. Vale ouvir música no iTunnes tanto quanto curtir o seu vinil. Andar a pé ou mesmo a cavalo é tão bom quanto desfrutar de uma Ferrari. Tudo é possível e bom e tem o seu momento! E desfrutar do mais é melhor que escolher o um só!
 Já fui mais light na minha escrita, hoje me sinto ácida querendo voltar ao doce (estou um docinho de boldo, por enquanto!). Em resumo: escrever blogs é tão bom quanto ler longos e intermináveis livros e assistir séries inteiras ou rever novelas e filmes que valem a pena. O Youtube tem o seu espaço, mas, com certeza, não é o universal! E falar também tem a sua arte e muitos não a têm - eu canso de muito trololó que poderia ser resumido num minuto. As pessoas se perdem falando mais do que escrevendo. Acho a escrita mais concisa, mais direta por incrível que pareça.Todo mundo quer ser (especialmente os jovens) um youtuber e ficou para trás querer ser um blogger, afinal, este sim não é para todos!
Não adianta querer reverter o mundo inteiro num grande écran totalmente visual – somos diferentes e onde ficarão os cegos, os auditivos, os sinestésicos? Quem traduz um livro em imagens, parabéns. Mas ele teve que ler para poder criar sua historinha visual a respeito. Entretanto, como em toda a adaptação, muita coisa ficou de fora e pode ser que seja tão importante ou mais, depende de quem lê e de quem adapta.
Já vimos muitos filmes baseados em livros que não gostamos – detalhes foram esquecidos...detalhes, às vezes, que não podemos colocar em imagens – há pensamentos que não são traduzidos em olhares ou ações... há descrições que não são traduzíveis em cenários. Logo, temos que aprender a abarcar tudo, a desfrutar de tudo um pouco e não querer descartar, pois não existe isso – a Natureza nunca descarta. Alguém sabe o lugar para onde vão as coisas “mortas”? Não existe, tudo é e está em constante transformação e transmutação, vai e volta e continua, é cíclico, é retorno...
Se eu quero dizer algo eu escrevo, eu desenho, eu falo, eu gravo... eu enceno. Na verdade, não preciso escolher um só meio, posso abarcar todos e ainda criar algum novo! Isso é expansão, isso é crescimento, isso é ser novo milênio! Ademais, o prazer de fazer o que se ama estar fazendo vale mais que tudo, e não é possível ter um resultado ruim quando se faz com paixão.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Ecossistema alterado

Desde que me mudei para o Rio grande do Sul, comecei a "colecionar" os pássaros, borboletas, insetos e outros animais da região. Eu conhecia bem o ecossistema do Rio de Janeiro, especialmente no alto da serra porque morava em Petrópolis. Atrás da minha casa tinha um pequeno bosque que constava de um enorme bambuzal, alguns pinheiros e muitas árvores da mata atlântica.Com a mudança reparei que alguns pássaros não veria mais. Entretanto, outros começaram a fazer parte da minha nova coleção, além das árvores e flores diversas.
 Nova Petrópolis onde moro atualmente, também é uma cidade serrana. Considerada o jardim da serra gaúcha, vemos flores diversas por todos os lados. Sem dúvida é uma joia em meio a serra, bem cuidada e mantida pelos moradores com floreiras em suas casas ou apartamentos.
No entanto, a preocupação com o ecossistema não é uma característica natural, especialmente das pessoas simples desalojadas do seu habitat. É preciso ter um aprendizado, ser instruído nas noções de importância de preservação, manutenção, conservação e etc. Não faz parte da nossa cultura, infelizmente, pensar assim. Pensamos no projeto, na aquisição, na novidade, mas esquecemos o fator tempo a médio e longo prazo. Não conservamos; trocamos. Não preservamos; derrubamos. Não mantemos; destruímos. Não consertamos mais; descartamos para o lixo! O novo é febre em todo lugar. Temos mania de novidade e passamos a odiar as coisas velhas, o antigo, bem de acordo com a noção de povo sem memória. O passado nunca nos interessou e não será agora. Com a tecnologia avançando, o que tem cinco anos já está obsoleto; dez anos passados já é vintage!
Voltemos à minha coleção. Mudando para a nova cidade, não pude morar numa casa. Tive que me contentar com um apartamento. Mas como tenho duas varandas, não me incomodei muito. Na lateral, havia (e há) um quintal bem do feitio brasileiro. Da minha varanda eu curtia - quatro pinheiros, um abacateiro, duas outras frutíferas (bergamoteiras, se não me engano) e uma árvore que ainda não consegui encontrar o nome e que a maioria das pessoas chama de árvore, apenas!
Assim sendo, muitos pássaros me visitavam e comecei a "colecioná-los", notando a diferença entre as duas regiões. Encontrei velhos conhecidos que habitam a mata Atlântica de uma forma geral e outros mais característicos do sul. Entre os velhos conhecidos estão: bem-te-vi, sanhaço, sabiá laranjeira, pardal, sebinho, pica-pau, joão de barro, cambaxirra, canário da serra, andorinha, gavião, falcão-peregrino, beija-flor (diversos), pombas e alguns da família dos psitacídeos.
Comecei a ver algumas diferenças: O pica-pau não tinha mais a cabeça vermelha, era de outro tipo. Conheci a gralha azul e o quero-quero, símbolos do RS. Vieram também, andorinhas diferentes, papa-moscas, cardeal, tucano de bico verde, tesourinha e o 'invasor" ibis preto. Isso sem falar das aves migratórias e das barulhentas maritacas.
Todavia, a felicidade da minha coleção crescente durou pouco, pois começaram a derrubar as árvores da cidade. As podas são feitas de qualquer maneira e pinheiros são derrubados com a desculpa de que não servem para nada. Até mesmo a Araucária vem sofrendo desta crítica. Muitos se incomodam com a "sujeira" que elas produzem no chão e esquecem tudo mais que as árvores nos proporcionam, junto com sua fauna específica. Há árvores que são verdadeiros criadouros de espécies. Insetos são necessários, besouros, borboletas e outros tantos que alimentam pássaros que cantam e que semeiam outras árvores. Abelhas circulam nesses meios. Enfim, tudo se equilibra para um funcionamento perfeito, belo e harmonioso. O clima depende dessa harmonia.
Hoje, não tenho mais os pinheiros, as frutíferas nem a araucária. Só me restou a foto deles. Prédios estão surgindo no lugar - cimento e concreto. Não sou contra o crescimento e desenvolvimento urbano, mas porque não acrescentar ao projeto arquitetônico as árvores, incluindo banquinhos, pequenas áreas verdes e de lazer?
E pensando nisso, ando muito preocupada com alguns plátanos da cidade, especialmente em praças. Estão doentes e mal cuidados. Cheios de ervas daninhas - trepadeiras perigosas - e lixo em seus caules e raízes. E como na visão das pessoas eles só sujam, especialmente quando chega o outono e inverno, não vou me espantar se um dia arrancarem todos, o que seria uma perda inestimável para nós seres humanos, animais em geral e plantas; enfim, para toda natureza. A cidade já sofreu uma grande perda, pois há alguns anos, um quarteirão inteiro foi desmatado, incluindo araucárias, pinheiros, eucaliptos e outras espécies para dar lugar a um caixote de concreto que nem shopping é - duas  grandes lojas âncora e alguns espaços para pequenas lojinhas, mais nada. Nem mesmo a madeira foi aproveitada!
No fim, eu que vim de fora, urbana e culta sou discriminada e não sou ouvida. Fico triste porque eles não sabem o que perderão num futuro próximo. E quando as chuvas torrenciais vierem, os tufões e as enchentes, vão colocar a culpa no aquecimento global provocado longe daqui. Acusarão fábricas e vacas de mudarem o clima, mas nunca olharão para si mesmos, para sua parcela de culpa, para seus atos inconsequentes. É mais fácil estender o dedo, olhar bem longe e culpar quem nem conheço, apoiado pelas mídias que fazem a mesma coisa, do que fazer o mea-culpa. O problema nunca está aqui; ele vive alhures!

"colecionar" = tirar fotos e guardar em álbuns dentro do computador para ver em forma de slides eventualmente.