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Saúde e longevidade no século XXI

 Tudo bem que nascemos sem manual de instruções e logo de início ficamos a mercê das “regras” da família. Mas se você cresce e não está saud...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Saúde e longevidade no século XXI

 Tudo bem que nascemos sem manual de instruções e logo de início ficamos a mercê das “regras” da família. Mas se você cresce e não está saudável – e vejo que a maioria das crianças e adolescentes já estão bem doentes, frequentando médico desde cedo – a pergunta que se faz é: como ser saudável e viver saudável, sem remédios ou aditivos até uma longa data?
Sim, porque de que adianta viver 80 ou 90 anos se você é dependente de remédios. É falsa essa longevidade. Na verdade só falta manter os idosos em máquinas – como muitos que conheço em hemodiálises e outros aparelhos! Isso é vida?
Lendo as postagens diárias na web sobre saúde, um indivíduo são quase enlouquece. É uma verdadeira guerra de informação e contrainformação a serviço das grandes indústrias farmacêuticas e alimentícias, mais os planos de saúde, os médicos, as faculdades de Medicina e todo o conselho médico. Tudo e todos no mesmo conluio de autoproteção e sustentação.
A medicina ou terapia natural/ alternativa segue pelo mesmo caminho, com lojas de produtos “naturais” a preço de ouro e diamante. Se realmente considerar tudo que falam, a pessoa não pode ingerir: ovo, lactose (leite, queijo, iogurtes, cremes, sobremesas cremosas, sorvetes), glúten (consequentemente todas as massas – bolos, pães, torradas, biscoitos, pastas, pizzas etc), carne vermelha e embutidos, restando, mal e porcamente, aves, peixes (não de cativeiro!) alguns legumes e algumas verduras e frutas que devem ser todas orgânicas, com selos de certificação (contando que não haja corrupção nisso!).
Tem legume que não deve, tem fruta que não se come e não pode fazer suco ( a última foi a carambola! meu deus, a natureza é cheia de venenos!), tem verdura que faz mal, enfim... a solução é viver de água (cuidado para não ser contaminada), ar e luz! E deu!
Vou contar minha trajetória desde 16 anos quando tomei ciência de que tinha que ser dona do meu corpo e do seu cuidado. Que depender de médico seria uma catástofre total, já que nem eles entram em consenso.
 Deixei de comer carne vermelha por 30 anos e sofri com a carência de vitamina B12 e sempre estive anêmica. Tive 2 gravidezes que quase me fizeram transfusão de sangue, porque o ferro que tomava não adiantava. Voltei a comer carne (é verdade que pouco, pois não aguento mais - 3x por semana no máximo, um bifinho!) e o sangue voltou ao normal. Não usava óleo nenhum, nem fritura, só azeite - meu LDL, o colesterol bom, ficou baixíssimo e disseram que era mais perigoso que o outro alto!. Então passei a ingerir manteiga e o óleo de coco e usá-lo diariamente na comida - o que aconteceu? Taxa alta de colesterol e triglicerídeos - tomei esporro do médico!
Há 30 anos não como açúcar refinado, preferindo mel e consumo quase tudo sem adicionar açúcar, inclusive o café e todos os chás e sucos - o que deu no exame?  Hemogoblina clicada alta, enfim, já estou no início do diabetes!!!! E ainda nem sei como isso aconteceu, nem mesmo os médicos explicam e ficam naquela – ela deve estar mentindo, ela deve comer escondido chocolates, brigadeiros, etc.
Estou horrores  acima do peso com uma dieta baseada em carnes magras e verduras, legumes e frutas;  como isso é possível? Comecei a ingerir o ovo conforme a nova indicação (inclusive de um médico ortomolecular)  que ele não faz mal a saúde e estou com entupimento de veias, já tive um derrame na vista e frequentemente caimbras .  Até apareceu um problema no coração!!! E ateroesclerose!
Sou uma pessoa ativa, sempre pratiquei esportes, sempre estive em movimento com longas caminhadas e mesmo assim, não consigo baixar de peso. Já fiz exames endócrinos e nada consta. A pressão está 12 por 9 e inventaram que a partir de 12 por 8 já é hipertenso. Vc pula do normal para o hipertenso e já querem te empurrar mais uma droga e pela vida inteira. Já escutei de médico que a partir dos 50 não tem jeito. Tem que se conformar e ir tomando os remedinhos até não mais poder e passar dessa para melhor.
Não sei mais o que é ser saudável! Só vejo gente enriquecendo às custas da saúde da população, seja a medicina tradicional alopática, seja esta outra alternativa que tem cobrado caro por cada informação, remédio ou sei lá mais o que. No final, a população é quem paga e não tem saúde!


O SUS é completamente comprometido com o sistema e a indústria farmacêutica - é só observar os remédios indicados pelos médicos e fornecidos nos postos de saúde e farmácias populares. Eu percebo que a maior parte das doenças deste século é derivada do efeito colateral de outras drogas, da química dos alimentos e dos agrotóxicos.
Em pleno século XXI, com toda a alta tecnologia e a população doente e mais doente! Será que retrocedemos e estamos mais ignorantes? Ou estamos sendo envenenados aos poucos e vão conseguir eliminar muita gente dos países emergentes, em desenvolvimento ou o nome que queiram dar para os países pobres? A pergunta é: onde está a Verdade de tudo isso?
Não sou favorável a teorias da conspiração, mas fica-se tentado a raciocinar desse jeito, já que não a resposta lógica nem convincente de nenhum lado. Há os metafísicos que defendem que tudo é mental. Sim, se tudo é mental, bastava pensar em saúde, não pensar em doença, comer alegre o que quisesse e nada de mal aconteceria. Mas os mentalistas esquecem que a via é de mão dupla – a mente influencia o corpo, mas o corpo também influencia a mente.
Se você bebe demais fica bêbado e pode perder a consciência... se come demais, passa mal e tem pesadelos... se ingere substâncias alucinógenas, alucina e quase enlouquece... alguns alimentos/substâncias  perturbam o sono, a digestão, o funcionamentos dos intestinos e a mente começa a ficar confusa, perder o senso e a memória. .. açúcar demais altera o temperamento, assim como ácido demais, amargo demais ou salgado demais. Logo é mente/corpo, mão dupla.
Não existe resposta/solução simplista porque o complexo do corpo/mente humanos ainda é muito desconhecido, sem contar que cada indivíduo, considerando raça, ambiente, educação, atividade, cultura é diferente. Portanto, não deve ser a mesma alimentação que serve para todo mundo, muito menos a mesma quantidade. Isto vale para remédios, coisa completamente ignorada pelos médicos.
Dr, Lair Ribeiro vem fazendo alardes, junto com seus discípulos. Acusa o sistema de expropriar a população com o preço dos remédios, consultas e exames. Entretanto, o que ele faz de concreto – mais alardes, mais informação e sempre com o cuidado de defender o seu lado. As informações são caras, os suplementos que ele recomenda também.
O conjunto dos profissionais da saúde está envolvido nesta ciranda dos infernos. Parece realmente uma condenação sem saída. Seja nutricionista, médico, dentista, enfermeiro, agente de saúde – tudo no mesmo navio, colocando a população cativa na terceira classe.
Com relação ao emagrecimento então, a coisa só piora. Uma indústria bilionária prometendo  toda sorte de emagrecimento e juventude. Tem dieta de tudo e até a anti-dieta que, no fim das contas, passa a ser uma dieta também. A história da mente magra é a maior enganação que já vi: quem pode descrever como pensa um magro? Já vi magro comilão, magro beberrão, magro que não está nem aí para o que faz bem ou mal, comendo de tudo e já vi gordo que passa a vida contando calorias, fazendo dietas e nada. Mas, se solta o controle, aumenta mais ainda o peso. Já fiz EFT, PNL, Healing, e outras tantas invencionices. No final, todos mandam você fechar a boca! O mistério do metabolismo que ninguém conhece nem resolve. Mas não falta aquele para vender drogas que o estimulam – de cápsulas até chás e que no fim, também não estimulam nada e fica-se na mesma.
Muitos falam em comer de verdade – tem os veganos, os crudívoros, os vegetarianos e mais uma porção de bandeiras e sistemas mirabolantes e bem intencionados. E nenhum, a vera mesmo, garante a nutrição, a energia e o bem estar constante do ser humano.
Já fui vegetariana, crudívora, macrobiótica, ovo-lacto vegetariana, omnívora  moderada, paleo-lowcarb e nenhuma delas me garantiu nem emagrecimento, nem saúde integral – sempre faltava algo. E ainda falta!
Não é de estranhar que a população da Terra, que vive em lugares diferentes com condições socioculturais e econômicas diferentes,  sofra dos mesmos males? Ansiedade, estresse, diabetes, obesidade, Alzheimeir, pressão alta, insuficiência renal e hepática e agora a tal da pangastrite com a maldita bactéria H-pilori que infesta a todos e ninguém sabe como! E todos tomam os mesmo remédios. Todavia, como isso é possível se nada é igual em cada país? Como um americano, um inglês, um francês, um australiano, um brasileiro, um argentino ou um sulafricano pode sofrer dos mesmos males?
No Brasil, o remédio campeão é o Rivotril, seguido do Omeprazol , Fluxetina, Furosemida, Paracetamol, Hidroclorotiazida, Clorpropramida entre outros. Todos com diversos efeitos colaterais efetivos e não ocasionais. Assiti um vídeo que relaciona o processo da administração destas drogas e seus efeitos no organismo. vale a pena dar uma olhada:  https://www.youtube.com/watch?v=nCQiRPv14tE.
Conclusão: o que fazer para realmente ter saúde? Onde viver, o que comer, o que beber, como se exercitar, o que pensar, o que sentir? Onde trabalhar e ser reconhecido e bem remunerado (pois isso também afeta sua saúde)? Dúvidas que assolam a todos, com muitas respostas e nenhuma solução realmente. A não ser que se mude de país, indo para o primeiro mundo, de preferência num dos país que formam o G-8 e, com muito dinheiro, pague-se realmente bons profissionais que te deem esta resposta. Ainda assim, fico eu cá com minhas dúvidas se conseguiria!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Religião: ter ou não ter?

Há pouco li o título de um livro do Dalai Lama, grande nome entre líderes religiosos -  a Ética é mais importante que a religião - e, a princípio, realmente fiquei  surpresa. Uma proposta dessas vindo a partir de  um líder que  guia um conjunto de pessoas que professam uma espécie de fé, um conjunto de ideias específicas sobre o mundo, a realidade, a vida em si mesma, é realmente curioso. Não imagino o que sentiram seus "fiéis" mas, com certeza, ele tocou milhões de pessoas diferentes.
Eu sempre defendi essa ideia e quando propus a um padre amigo meu , ele disse que era uma proposta perigosa. Na verdade, eu defendi e defendo o estado laico porque penso que, se formos éticos, a religião não tem função alguma na sociedade como instituição normativa. Aliás, ela nem deveria ser normativa; isso ficou há muito tempo atrás, num passado histórico.
A religião é uma espécie de estética, isto é, ela é da ordem do bom, do belo e do verdadeiro. Assim, cada indivíduo tem um sentimento a respeito desses temas, logo, cada um "veste" a religião que melhor considera ou que mais gosta. Tem que ter afinidade, tem que ressoar no seu interior. E acima de tudo, eu creio que religião tem que responder às questões mais profundas da alma humana, uma espécie de consolo ao mistério da Vida. O Direito com seus braços institucionais pode garantir a ordem na sociedade com a escritura e a vigilância das leis; a religião deve consolar, amparar, auxiliar.
Se observarmos bem o mundo, veremos que as instituições monoteístas não resolveram nenhum problema humano, ao contrário, incitaram e incitam conflitos e guerras devido a intolerância embutida na crença de uma só origem, uma só resposta, uma só possibilidade, um só deus. Vimos e vemos a intolerância de gênero, de raça, de cor baseada na ideias religiosas. Já se matou e morreu mais em nome de um deus que da descrença nele... sempre o excesso matou mais que a falta, ainda que seja o excesso de fé! Mesmo as religiões ditas politeístas, ou as que se escondem como apenas uma filosofia de vida, cerceiam o pensamento e o sentimento humano, pois também se unem às ideias intolerantes das maiores instituições do mundo,

incutindo e cultivando medos escatológicos, com profecias de fim de mundo e outras catástrofes. O Universo é vasto, infinito e diverso e ainda pensamos de uma forma bitolada e limitada. Se nos libertarmos de crenças limitantes, um  enorme campo de possibilidade se abre a nossa frente e, com certeza, nossa consciência se expandirá.
Assim, penso que este livro, embora seja pequeno, algumas respostas de uma entrevista ao Dalai Lama, possa abrir a mente das pessoas com a finalidade de se repensar nosso estar no mundo de uma forma mais justa, mais produtiva e mais tolerante - realmente pacífica.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ou isto ou aquilo





Acho que nós ligamos muito para o resultado e esquecemos o prazer do percurso. Qualquer coisa que temos a intenção de fazer, ficamos concentrados mais nos resultados, no como vai ser, no se vão gostar, se vão reconhecer, etc do que no prazer de fazer por fazer, porque se ama fazer aquilo, porque se pensa e sente que aquilo é que faz com que você seja você e não o outro... Estamos sofrendo de uma doença imposta e disseminada pelas mídias, especialmente as micro mídias acessíveis a todos. Absorvemos uma ideologia que paira no ar – todos têm que aparecer, estar conectado, escrever, fazer vídeos... é uma febre que está levando o mundo ao constante estresse, uma ansiedade crônica que nem toda a meditação aliviaria!
 Eu sou do tipo que acredita que no universo não há lixeira, que tudo tem o seu lugar e que não adianta tentar jogar fora ou esquecer o que quer que seja, pois não será possível. O Universo é histórico ainda que atemporal. Memórias pairam  no espaço e tecem redes... Então: ainda tá valendo ler um bom livro tanto quanto assistir um vídeo viral no youtube. Vale ouvir música no iTunnes tanto quanto curtir o seu vinil. Andar a pé ou mesmo a cavalo é tão bom quanto desfrutar de uma Ferrari. Tudo é possível e bom e tem o seu momento! E desfrutar do mais é melhor que escolher o um só!
 Já fui mais light na minha escrita, hoje me sinto ácida querendo voltar ao doce (estou um docinho de boldo, por enquanto!). Em resumo: escrever blogs é tão bom quanto ler longos e intermináveis livros e assistir séries inteiras ou rever novelas e filmes que valem a pena. O Youtube tem o seu espaço, mas, com certeza, não é o universal! E falar também tem a sua arte e muitos não a têm - eu canso de muito trololó que poderia ser resumido num minuto. As pessoas se perdem falando mais do que escrevendo. Acho a escrita mais concisa, mais direta por incrível que pareça.Todo mundo quer ser (especialmente os jovens) um youtuber e ficou para trás querer ser um blogger, afinal, este sim não é para todos!
Não adianta querer reverter o mundo inteiro num grande écran totalmente visual – somos diferentes e onde ficarão os cegos, os auditivos, os sinestésicos? Quem traduz um livro em imagens, parabéns. Mas ele teve que ler para poder criar sua historinha visual a respeito. Entretanto, como em toda a adaptação, muita coisa ficou de fora e pode ser que seja tão importante ou mais, depende de quem lê e de quem adapta.
Já vimos muitos filmes baseados em livros que não gostamos – detalhes foram esquecidos...detalhes, às vezes, que não podemos colocar em imagens – há pensamentos que não são traduzidos em olhares ou ações... há descrições que não são traduzíveis em cenários. Logo, temos que aprender a abarcar tudo, a desfrutar de tudo um pouco e não querer descartar, pois não existe isso – a Natureza nunca descarta. Alguém sabe o lugar para onde vão as coisas “mortas”? Não existe, tudo é e está em constante transformação e transmutação, vai e volta e continua, é cíclico, é retorno...
Se eu quero dizer algo eu escrevo, eu desenho, eu falo, eu gravo... eu enceno. Na verdade, não preciso escolher um só meio, posso abarcar todos e ainda criar algum novo! Isso é expansão, isso é crescimento, isso é ser novo milênio! Ademais, o prazer de fazer o que se ama estar fazendo vale mais que tudo, e não é possível ter um resultado ruim quando se faz com paixão.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Ecossistema alterado

Desde que me mudei para o Rio grande do Sul, comecei a "colecionar" os pássaros, borboletas, insetos e outros animais da região. Eu conhecia bem o ecossistema do Rio de Janeiro, especialmente no alto da serra porque morava em Petrópolis. Atrás da minha casa tinha um pequeno bosque que constava de um enorme bambuzal, alguns pinheiros e muitas árvores da mata atlântica.Com a mudança reparei que alguns pássaros não veria mais. Entretanto, outros começaram a fazer parte da minha nova coleção, além das árvores e flores diversas.
 Nova Petrópolis onde moro atualmente, também é uma cidade serrana. Considerada o jardim da serra gaúcha, vemos flores diversas por todos os lados. Sem dúvida é uma joia em meio a serra, bem cuidada e mantida pelos moradores com floreiras em suas casas ou apartamentos.
No entanto, a preocupação com o ecossistema não é uma característica natural, especialmente das pessoas simples desalojadas do seu habitat. É preciso ter um aprendizado, ser instruído nas noções de importância de preservação, manutenção, conservação e etc. Não faz parte da nossa cultura, infelizmente, pensar assim. Pensamos no projeto, na aquisição, na novidade, mas esquecemos o fator tempo a médio e longo prazo. Não conservamos; trocamos. Não preservamos; derrubamos. Não mantemos; destruímos. Não consertamos mais; descartamos para o lixo! O novo é febre em todo lugar. Temos mania de novidade e passamos a odiar as coisas velhas, o antigo, bem de acordo com a noção de povo sem memória. O passado nunca nos interessou e não será agora. Com a tecnologia avançando, o que tem cinco anos já está obsoleto; dez anos passados já é vintage!
Voltemos à minha coleção. Mudando para a nova cidade, não pude morar numa casa. Tive que me contentar com um apartamento. Mas como tenho duas varandas, não me incomodei muito. Na lateral, havia (e há) um quintal bem do feitio brasileiro. Da minha varanda eu curtia - quatro pinheiros, um abacateiro, duas outras frutíferas (bergamoteiras, se não me engano) e uma árvore que ainda não consegui encontrar o nome e que a maioria das pessoas chama de árvore, apenas!
Assim sendo, muitos pássaros me visitavam e comecei a "colecioná-los", notando a diferença entre as duas regiões. Encontrei velhos conhecidos que habitam a mata Atlântica de uma forma geral e outros mais característicos do sul. Entre os velhos conhecidos estão: bem-te-vi, sanhaço, sabiá laranjeira, pardal, sebinho, pica-pau, joão de barro, cambaxirra, canário da serra, andorinha, gavião, falcão-peregrino, beija-flor (diversos), pombas e alguns da família dos psitacídeos.
Comecei a ver algumas diferenças: O pica-pau não tinha mais a cabeça vermelha, era de outro tipo. Conheci a gralha azul e o quero-quero, símbolos do RS. Vieram também, andorinhas diferentes, papa-moscas, cardeal, tucano de bico verde, tesourinha e o 'invasor" ibis preto. Isso sem falar das aves migratórias e das barulhentas maritacas.
Todavia, a felicidade da minha coleção crescente durou pouco, pois começaram a derrubar as árvores da cidade. As podas são feitas de qualquer maneira e pinheiros são derrubados com a desculpa de que não servem para nada. Até mesmo a Araucária vem sofrendo desta crítica. Muitos se incomodam com a "sujeira" que elas produzem no chão e esquecem tudo mais que as árvores nos proporcionam, junto com sua fauna específica. Há árvores que são verdadeiros criadouros de espécies. Insetos são necessários, besouros, borboletas e outros tantos que alimentam pássaros que cantam e que semeiam outras árvores. Abelhas circulam nesses meios. Enfim, tudo se equilibra para um funcionamento perfeito, belo e harmonioso. O clima depende dessa harmonia.
Hoje, não tenho mais os pinheiros, as frutíferas nem a araucária. Só me restou a foto deles. Prédios estão surgindo no lugar - cimento e concreto. Não sou contra o crescimento e desenvolvimento urbano, mas porque não acrescentar ao projeto arquitetônico as árvores, incluindo banquinhos, pequenas áreas verdes e de lazer?
E pensando nisso, ando muito preocupada com alguns plátanos da cidade, especialmente em praças. Estão doentes e mal cuidados. Cheios de ervas daninhas - trepadeiras perigosas - e lixo em seus caules e raízes. E como na visão das pessoas eles só sujam, especialmente quando chega o outono e inverno, não vou me espantar se um dia arrancarem todos, o que seria uma perda inestimável para nós seres humanos, animais em geral e plantas; enfim, para toda natureza. A cidade já sofreu uma grande perda, pois há alguns anos, um quarteirão inteiro foi desmatado, incluindo araucárias, pinheiros, eucaliptos e outras espécies para dar lugar a um caixote de concreto que nem shopping é - duas  grandes lojas âncora e alguns espaços para pequenas lojinhas, mais nada. Nem mesmo a madeira foi aproveitada!
No fim, eu que vim de fora, urbana e culta sou discriminada e não sou ouvida. Fico triste porque eles não sabem o que perderão num futuro próximo. E quando as chuvas torrenciais vierem, os tufões e as enchentes, vão colocar a culpa no aquecimento global provocado longe daqui. Acusarão fábricas e vacas de mudarem o clima, mas nunca olharão para si mesmos, para sua parcela de culpa, para seus atos inconsequentes. É mais fácil estender o dedo, olhar bem longe e culpar quem nem conheço, apoiado pelas mídias que fazem a mesma coisa, do que fazer o mea-culpa. O problema nunca está aqui; ele vive alhures!

"colecionar" = tirar fotos e guardar em álbuns dentro do computador para ver em forma de slides eventualmente.