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DESPENCANDO O NÍVEL

Quando pensávamos que nada mais poderia ser pior na educação brasileira, eis que surge o novo projeto deste governo – a proposta da Bas...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

o que fazer neste fim de ano



Com tanta coisa acontecendo no mundo e no Brasil, em termos econômicos, financeiros e sociais, como é possível passar o Natal como se nada estivesse ocorrendo? Como é possível se alienar mais do que a própria época já aliena?
Dar presentes, confraternizações e mais as obrigações religiosas, todas passam como um ritual de espera para uma iniciação melhor no ano vindouro, mas esquecem as notícias. E elas estão aí: de fim de mundo à bolha mundial no mercado financeiro.


É preciso ater-se à realidade, pelo menos de vez em quando, para que os dissabores após festa não tenham um gosto mais amargo que a ressaca da bebedeira que se fazem nestas épocas!
Apesar de tudo, feliz Natal a todos e Boas entradas de Ano... e que 2012 seja um ano realmente diferente, marcante para melhor, melhor do que 2011 que prometia riquezas... e este, que vem promete calamidades.
Viva-se sem stress num mundo desses!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

a importancia de ler II



Não apenas os professores percebem a falta da leitura nas salas de aula, pelo teor e capacidade de resposta e deduções das questões propostas. Mas, em concursos públicos – do ENEN, Vestibular, ou concursos a Órgãos Públicos – nota-se a falta de ideias, de noções básicas e conceituais, de propostas e argumentação.
Todo este cabedal de conhecimento depende de leitura,e leitura constante. Da ortografia à regência de um verbo é mais a leitura que o estudo decorado da gramática infunde no indivíduo a forma correta.
Há uma linha de linguistas que, em nome de uma ideologia chamada de inclusão, vem aceitando o erro gramatical e a pobreza de argumentação dissertativa, como uma forma cultura legítima do povo que não debe ser podada, censurada. Inclusão seria levar este indivíduo a uma capacidade real de leitura com dedução e reflexão adequados. É o mesmo que dizer que uma árvore é melhor, mais bonita e mais forte se ficar no seu estado natural quando todos sabemos que a atuação do homem na Natureza, com sabedoria, só vem a desenvolver mais a Natureza seja ela agrícola ou não, a fortalecer os elementos, os tipos além de cultivá-los melhor.
A criança necessita de uma quantidade considerável de informação de qualidade e direcionada. Não é o que acontece no dia a dia da maioria de nossas crianças. As poucas horas na escola (cerca de 4 horas apenas) com atividades , muitas vezes dispersas e desconexas, segue-se o videogame, a TV , os joguinhos de celulares e outros componentes eletrônicos, ainda dentro do ambiente escolar, valorizando uma absorção de imagens sem reflexão. Nem as revistinhas chamadas gibis são cultivas hoje. O cérebro recebe uma enxurrada de informações em forma de imagens, onde fica impossível qualquer seleção ou atividade crítica. Além disso, as imagens são dadas como flashs, cansando o nervo óptico o que leva a um cansaço para ler, uma cansaço para qualquer atividade que não seja a mesma, inclusive um cansaço para discernir.
Mensagens subliminares seguem com as imagens que são passadas a cortes de milésimos de segundo. Então: como resgatar o hábito saudável de leitura?


É verdade que os países europeus, os EUA e o Canadá, e os asiáticos o índice de leitura é quase 100% maior. Isto resulta, com certeza numa diferença substancial da formação de um jovem, de um universitário e posteriormente, de um adulto recém formado que sabe articular, entender e defender suas próprias ideias, além de possuir um discurso próprio que não necessite do “copy and paste” agora tão famoso nas escolas secundaristas e universidades brasileiras.
Só existe uma solução: investir mais no livro, por parte da família, das escolas, dos professores. Se houvesse uma propaganda em massa sobre o hábito da leitura, se fosse cobrado como ditam a moda, é claro que a leitura seria a principal atividade humana. Os livreiros, grandes ou pequenos, estão aí só para ajudar a fomentar este hábito saudável e essencial.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

a importância da leitura I

Muito se tem escrito e falado sobre a importância da leitura para a formação da inteligencia como um todo das crianças e dos adolescentes. No entanto, efetivamente, pouco se tem feito na prática. Os trechos de textos nos livros didáticos são pequenos enxertos que não dão ideia nenhuma da história e, ao contrario de estimular a procura pelo texto integral, faz com que o aluno simplesmente considere que já sabe, quando não dizem que é um saco. E por quê? Imagine que ao invés de assistir o filme todo, vc visse apenas pedaços dos filmes. Não os trailer que são montados justamente para atrair o espectador, mas pedaço escolhidos ao acaso , dados como o filme integral. O que diriam nossas criança e adolescentes se a televisão picotasse os desenhos, os seriados e os filmes em pedaços aleatórios. Acho que eles acabariam não gostando nada e achando filme, seriado e outros programas mutio chato. Mas a Televisão e a industria do cinema sabe o que faz. Entretanto a industria do livro precisa de intermediários e estes não são os livreiros apenas, mas principalmente os professores e pais.

Se um pai ou mãe não leva seu filho ou filha a uma Livraria com constância a fim de incentivar a leitura, a criança e o adolescente fica deficiente. Estabelece-se uma falha na formação cognitiva, ainda que muitas multi nacionais produtores de videogames e outros enalteçam o desenvolvimento cerebral da garotada, a verdade é que o cérebro torna-se um elemento passivo recebendo imagens prontas e não tendo que formulá-las.

Por outro lado os professores vão na onda, incentivando também filmes ao invés de leituras e sem recomendar livros de literatura brasileira. Esta ficou restrita mal e porcamente aos meios acadêmicos da Faculdade de Letras. Mas ainda assim, nem sempre a recomendação é seguida a risca, porque hoje se tem acesso pela internet de resumos e mais resumos de todos os livros.
Mas nem tudo estás perdido. Ainda nascem almas leitoras que gostam dos livros e do hábito da leitura. Conversando com um menino de 10 anos sobre leitura ele fez a seguinte observação: “Meus colegas não leem porque acham que o livro é chato, que é um monte de letras apenas. Eles não percebem que cada paragrafo que se lê, é uma tela de cinema que aparece na sua cabeça, e bem mais legal que os desenhos animados. Também os pais deles não leem, então não incentivam a leitura, não compram livros para eles.”

Logo, percebe-se que a sociedade e a escola são culpadas da falta do hábito de leitura em geral, o que dizer, da literatura brasileira.

(continua)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Eterno outono



Recordo o mais longínquo dos outonos
Quase perdido
Sensação leve de frio tocando os pelos sobre a pele
Cheirando a terra morna e úmida
O ar tépido
Envolvendo-me em lembranças e vestidos sutis.

Outono de folhas
douradas, amareladas, vermelhas e as de cobre
Frios esquisitos e insetos diferentes
Teias e redes invisíveis tecidas em pequenas distâncias
Fantasia de névoa que me cobre
Fechando-me em segredos de portas sem fechaduras.

Outono de mel colorido e doce líquido
que escorre da minha saliva em lembranças ternas
Das resinas brancas das cascas feridas
Dos toques quentes e dos pesos suaves estendidos pela relva
Tapetes de vozes roucas que acolhem
O fim do verão que brota pelos poros mansamente ainda
Nos infinitos das luzes que se esvaem
em os olhos presagiosos de chuvas...

Outono secreto e sempre presente
cíclico, perene e inextinguível
marcado de despedidas e amargos adeuses
Prenúncio eterno
do mais duro inverno gelado...

sábado, 21 de maio de 2011

Noite no lago


A noite estendia seu manto negro sobre o lago
e tudo mais ficava tão escuro
soprava um vento quase místico
murmurante de música celestial
com um acariciar gélido envolvia nossos corpos
e a lua acalentava plácida nossas almas ardentes...

À noite, à beira do lago, minha alma enchia-se de temor súbito
ao olhar teus olhos úmidos de fogo
sentia estremecer a carne de desejo profundo
e desejei morrer para ficar assim
sempre penetrada do teu punhal de luz.

Teu abraço selou a marca deste desejo
que permaneceu pulsando nos teus olhos
e na tua boca de taça...

A noite enchia de perfumes diversos
descrevendo seus mistérios dormentes e ocultos
cada cheiro evocava uma lembrança
cada perfume marcava suave os instantes como vultos
eternas sombras ondulantes do universo

O mel da noite consumiu-se lentamente
e, agora, todas as flores cheiram a mesma esperança
até a sombra úmida, no surgir da aurora
tem um perfume de suave frescor
o sol nascente tem demasiado odor
refletido em gotas sobre as águas da noite...

Mas porque amanheceu,
sofro silenciosa com uma calma aparente
e nada mais anuncia este ardor de açoite
que iluminou minha noite
como a soberana lua

Então, a vida transcorrerá calma
fluindo como as águas dos rios
até que o sol canse de ser claro
e cubra tudo com o manto negro da noite
para que eu possa sonhar novamente
e eternizar esta terna noite de lua.

in: Da solidão e das Saudades de Cristina Danois

terça-feira, 3 de maio de 2011

MOZART HOJE



Ainda bem que quando Mozart nasceu, no século XVIII, não existiam psiquiatras de plantão, psicólogos infantis para dar palpites na educação de crianças superdotadas e especiais, neurologistas ou outros especialistas em cérebro, conselheiros tutelares da infância e da adolescência (aliás, este conceito é moderníssimo e que estrago tem feito em nossa juventude!). Não existiam os pedagogos que padronizavam e rotulavam os jovens, nivelando as inteligências e os talentos por baixo, isto é, imbecilizando, vulgarizando e banalizando todo saber, toda arte, toda criatividade possível que nasce cedo dentro dos seres humanos e que tal como uma árvore, precisa de cuidados especiais até que se solidifique, que se estruture a fim de dar frutos. E ainda bem que também não existiam, naquela época, os sexólogos, dando palpites e administrando a sexualidade de todo mundo. Estas especialidades e outras tantas ditas científicas - de uma ciência hoje que mais modela e controla do que pesquisa e descobre algo que valha a pena – tolhem os dons inatos dos seres, sejam eles artísticos ou não.
Hoje, a pretexto de estudarem os gênios que a Humanidade viu nascerem e se desenvolverem sozinhos, eles tentam investigar os cérebros destas pessoas como se elas fossem apenas máquinas bem equipadas de produção criativa e intensiva, como alguns robôs programados da atualidade, e que ainda assim, ficam aquém do verdadeiro gênio humano. E mesmo que programassem um robô para ser gênio, ele seria uma máquina medíocre, porque a genialidade e o talento não estão definitivamente no cérebro e sim nascem com o homem, no seu interior, uma moção, uma paixão e pertence à alma única dele.



E os inúmeros especialistas palpiteiros se juntam para falar dos defeitos e das doenças adquiridas por estes gênios, em particular de Mozart. Como se a Humanidade inteira medíocre fosse saudável física e mentalmente, sensata e muito equilibrada. Como se neste mundo a maioria de medíocres não ficassem doentes, não fossem neuróticos, agressivos, problemáticos e não beirassem às loucuras e os extremos. Afinal, por que tanto desenvolvimento tecnológico a serviço da saúde, por que tantas drogas psicóticas circulam no mercado? Seria tudo isto destinado aos gênios?
Se Mozart tivesse nascido neste século, em especial no Brasil, ele morreria. Não fisicamente, é claro, sua saúde estaria garantida pelo SUS ou pelos planos de saúde e pelos equipadíssimos hospitais e clínicas que possuímos, além de ter todas as drogas a sua disposição ( para comprar, é claro, caso precisasse). Mas Mozart morreria por dentro, sua alma, sua música, sua criação; morreria todo o seu talento. Mas ele seria feliz, garantem nossos psicólogos, pedagogos e conselheiros tutelares. Ele freqüentaria assiduamente a escola dirigida por diretores e pedagogos ineptos que ordenam que as crianças brinquem, copiem, vejam televisão, usem a internet como único meio de pesquisa, joguem no computador, divirtam-se e se relacionem, à vontade. A isto, eles chamam hoje de educação para o novo século, para a cidadania e a consciência planetária, sem esquecer a consciência ecológica. Como disse um governante bastante popular: não é preciso nem escola, nem livros; hoje nós temos a televisão e a Internet. Só mesmo um despreparado para pronunciar em cadeia nacional tamanha asneira! Mas deixemos os ilustres operários de lado e continuemos a falar de Mozart.



Dizem ainda que hoje ele seria mais saudável porque não teria contraído varíola nem tifo, muito menos gripe (?). Estaria apenas sujeito ao câncer, a AIDS, ao diabetes, à obesidade já que dormiria demais, comeria demais e faria sexo cedo demais e bastante a fim de provar sua hetero ou homosexualidade, aproveitando bem todas as experiências e prazeres da vida e, é claro, não teria tempo para estudar música, para compor, para tocar, causa possível do seu grande desajuste. E poderia pegar uma gripezinha: a suína, a chinesa, a do frango, a do boi, ou a do leite ou ainda mais leve, uma dengue hemorrágica, nada tão grave como as doenças no tempo dele.
O conselho tutelar garantiria a presença de Mozart dentro da escola dos medíocres para alívio e alegria dos antonios salieris da vida. Responderia a chamada quando fosse chamado e passaria o resto do tempo conversando, trocando figurinha, jogando bola, beijando as meninas no banheiro, fumando maconha, gritando com os professores reacionários que insistem em dar aulas tradicionais, navegando à vontade pela Internet, jogando os diversos games e aprenderia outras coisas, bem mais difíceis que exigem o desenvolvimento de um talento diferente, menos musical, tal como: como enganar o sistema, seja ele qual for, como roubar, como dar calote, como fazer gatos dos serviços essenciais e não pagar nada, como dar pequenos golpes nas pessoas ingênuas, como arranjar um emprego, não trabalhar e receber salários e benefícios, etc. Enfim, uma porção de coisas mais importantes hoje, que formam o conjunto dos cidadãos honestos das comunidades, sejam elas carentes ou não, nos morros, nos condomínios, nos prédios ou nos complexos, enfim a grande maioria dos centros urbanos atuais.
Mozart estaria bem, sem nenhuma responsabilidade de tocar aqui e ali o tempo todo, sem a preocupação de compor uma peça por semana ou para todos os eventos da cidade. Não seria escravo do sistema que lhe pagava para tocar e ser músico apenas. Ele seria livre para fazer o que quisesse, menos música, já que isso não dá futuro a ninguém e o sistema já providencia os talentos musicais, moldando-os, produzindo-os no computador e colhendo-os na grande massa que se pensa artista. Ele ouviria a música de massa e ficaria satisfeito, andando pelas ruas com seu ipod ou o seu cd player portátil, ou mesmo no seu celular, curtindo os diversos ritmos - do funk pesadão ao axé, passando pelo dance e outros tantos estilos musicais tão ricos e edificantes que são produzidos hoje em dia como bananas nos países tropicais. Mas não só isso, as eruditas contemporâneas também poderiam ser gravadas e ouvidas a qualquer hora sem necessitar de músicos ou salas de concerto, uma beleza para os ouvidos do nosso grande gênio, ouvindo as peças desconstrutivistas, programadas, feias ou conceituais, produzidas com ou sem o computador pelos novos gênios que não tocam nenhum instrumento, por isso produzem música pura, para além dos instrumentos antigos e arcaicos – um verdadeiro new age musical!
Mozart estaria bem hoje em dia, tranquilo e poderia ser homosexual, bisexual, transexual, qualquer coisa que lhe desse na cabeça, menos normal, já que este conceito está ultrapassado hoje em dia e ser simplesmente hetero não quer dizer nada. Na verdade quer dizer, segundo os entendidos da sexualidade hodierna, que é “um cara reprimido que se boicota e impede de experimentar novos prazeres”! (uau!)



Infelizmente, Mozart não conseguiria se livrar da chusma de políticos, governantes ou não, e banqueiros. Não conseguiria evitar a alta burguesia riquíssima e imbecil das grandes metrópoles de hoje, mais ricas que toda a corte de Versalhes, que todo império austro-húngaro, mais poderoso que o Czar ou Napoleão ou mesmo que a Rainha da Inglaterra, que hoje não passa de uma figura meramente representativa para ilustrar o desejo de nobreza de uma ilha já há muito ultrapassado com seus valores monárquicos arcaicos, entretanto não menos burra e sem cultura, a burguesia, não a Rainha. Não conseguiria evitar toda esta hipocrisia e mentira vigente em que mergulhou nossa sociedade cheia de meios de informação e tão desinformada, a beira da deformação mental. Se ele insistisse em compor, em ser músico, por um acaso dos acasos, numa estimativa de um para cem milhões (ou mais), ele estaria sujeito às críticas dos invejosos e ignorantes, tanto desta alta burguesia como da massa ignorante e rude, e, com certeza, continuaria a não agradar a ninguém, exceto algumas almas reacionárias e arcaicas, amantes da boa música. Mas como Mozart não iria compor e cedo-cedo abandonaria este mau hábito, tão obsessivo e deturpador da personalidade padrão, ou mesmo nem chegaria a desenvolver nenhum talento (isso não teria importância alguma), tornando-se um pacato cidadão comum, obediente que segue as regras e as normas, ainda que estas sejam as de se rebelar para uma economia higiênica do sistema. E o mundo continuaria rico, muito rico sem nenhuma destas grandes criações mozartianas, sem os seus concertos geniais, as suas sinfonias ou os seus quartetos (sem falar das óperas) e seguiria caminhando para o caos e a complexidade, bem como para a sua destruição, calmamente, ao som dos seus bips eletrônicos, dos seus celulares e do barulho intenso e ensurdecedor de todas as máquinas inventadas e criadas para trazer conforto e tranquilidade para os humanos. Afinal, quem precisa de Mozart, diria o presidente da maior corporation dos EUA, ou um grande negociador em Wall Street, em eco com todos os banqueiros e comerciantes do mundo em coro com todos os quase 6 bilhões de habitantes deste planeta obscuro, medíocre, infeliz e quente, muito quente mesmo e com a temperatura em franca elevação! Quem precisa de Arte, nós temos tecnologia, fast-food e sexo à vontade!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Homenagem póstuma


Já faz quase um ano que se foi o grande escritor José Saramago. A notícia tomou-me de surpresa. Fiquei sem fala... sem palavras... queria escrever, homenageá-lo, saudá-lo, mas o nó na garganta impedia que as palavras fluissem. Nem sequer consegui reler alguns de seus geniais romances. Nem mesmo as crônicas ou comentários... E me calei. Saio agora de um luto literário por este inominável escritor português - o Nobel José Saramago e faço-lhe a minha homenagem.



A JOSÉ SARAMAGO

José Saramago nasceu em 1922.
Em 1922!
Aqui, em aquém -mar já tínhamos realizado
o polêmico movimento modernista
e as ondas foram levando
daqui pra lá a comoção
e os ventos marinhos salgando
a terra de Azinhaga
pequena aldeia que viu nascer
o menino sonhador
nascido como todos os outros meninos
um bebê como os outros
especial apenas para sua mãe.

Em 1922, nasceu José Saramago
leitor do mundo!
Leu e escreveu tudo que viu
e viveu.
José, tão (in)comum
nasceu em 1922
com tantos outros josés
escritores ou não
leitores muitos
nasceu quando Oswald de Andrade
(nome pouco português ou brasileiro)
fazia apologia linguística
da língua de aquém-mar
a mesma que sempre nos uniu
e nos permitiu conhecer no original
as histórias, os relatos, os comentários de
José Saramago!

E pois, em além-mar
nascia o menino em meio as estas efervescências linguísticas
e nacionalismos
socialismos
comunismos
tantos ismo a envolver
o menino José
o Saramago
que como Carlos
o anjo vaticinou ser gauche na vida!

José, o Saramago nasceu em 1922
e afirmou-se neste mundo
a golpes de pena mais que de seu ofício primeiro
e fez seu sobrenome
valer o nome
sinal de mérito em nossa língua
tão portuguesa onde
nome é nome
sobrenome é sobrenome
e não como no resto do mundo onde
nome é sobrenome
e nome-nome é quase nada
lembrança dos íntimos
ou dos familiares...

Mas José, fez-se Saramago
a custa da palavra bem escrita
da pena ousada
do olhar arguto
do tom satírico e irônico
muitas vezes indignado...
Fez-se Saramago
pela custa do livro lido
da biblioteca viva
do ofício diário
da busca constante
da fome insaciável
da indagação
e também da indignação
eternas!

O nome Saramago
é segundo os dicionários
etimológicos e ocultos
ousadia,
espírito competitivo,
independência,
força de vontade,
originalidade
sendo vero ou não
bem trovato e verdadeiro foi
neste José escritor.

E morreu no dia 18 de junho de 2010!
tão cedo ainda!
Por que não adiar para 2012?
quem sabe se as intermitências não tivessem acontecido fora de hora
e tivesse sido proclamada a ausência de morte em 2010 -
não teria morrido este escritor tão cedo?
Por que não fechar a vida com uma conta redonda:
morreu aos 90 anos....
quem sabe mais dois romances,
algumas tantas crônicas ou contos
quem sabe o que ficou por dizer...
ai, este silêncio aziaguo!
e quantos personagens não foram com ele?

Acompanharam-no, com certeza
num belo cortejo dos vivendos
Baltazar, Blimunda e o padre amigo
Joana Carde, Joaquim, Pedro e outros levantados
Ricardo Reis com seu vate-criador, é claro
fazendo as honras sem cerimônias
o outro grande português Fernando pessoa,
e todos os cegos da cegueira branca
e todos os lúcidos
Cipriano grato e sua filha
e mesmo Caim!
Todos vieram em cortejo
saudar o grande Saramago-criador
e mesmo Jesus, Jesus em pessoa
o Jesus humano que ele revelou
o único em que ele acreditou
co-autor do livro que lhe conferiu
o premio máximo
tornando Nobre sua literatura e sua língua!
Coincidência?
Não, aposto que Jesus leu e gostou
releu e aprovou
enfim, fizeram-lhe Justiça
um comunista, quem diria...
E o Verbo declarou: Faça-se Justiça a este escritor!
e assim se fez
tornaram Saramago Nobel
junto a tantos nobres nomes
eternizados na memória coletiva dos Homens.
Secretamente foi declarado Sir
com honras de cavalarias
o sr. da pena-espada!

Nasceu José Saramago em 1922
e morreu, sem aviso prévio
assim como um homem comum
no dia 18 de junho de 2010.
E que saudades ficarão!
Foi-se na sua Jangada de Pedra
nas costas de um Elefante
voando na máquina voadora do padre Bartolomeu
tomar um café
ou quem sabe comer uma dobrada à moda do Porto
mas não fria
regada a goles de um bom vinho
talvez um Xerez
com seu amigo português.