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DESPENCANDO O NÍVEL

Quando pensávamos que nada mais poderia ser pior na educação brasileira, eis que surge o novo projeto deste governo – a proposta da Bas...

domingo, 8 de novembro de 2015

Há mais coisa na nossa literatura que nos contam outras literaturas



É comum encontrarmos,  hoje em dia,  professores, comentaristas, críticos  que dizem que a literatura brasileira é muito difícil para nossos jovens estudantes, seja a literatura do século XIX, seja do século passado (não tão passado, pois grita às nossas costas!), ou mesmo deste debutante século.
Particularmente, Machado de Assis, nosso grande representante literário, fundador da Academia Brasileira de Letras, um exemplo de sucesso e empreendedorismo (para utilizar a linguagem mais na moda hoje), considerado gênio por muitos leitores e estudiosos “lá de fora” (Harold Bloom o coloca entre Shakespeare, Dante,  Dickens, Balzac e outros) é rechaçado às custas de sua linguagem! Mas será mesmo somente uma questão de linguagem?
Entretanto, não há escritor mais sucinto e simples na linguagem que Machado em suas descrições e narrativas, se considerarmos os ingleses, os franceses ou mesmo os portugueses da época.  Nada é demais no autor de Dom Casmurro, nada excede, nada sobra, ao contrário, às vezes, com uma só frase diz tudo, o que torna algumas delas emblemáticas. E arrisco: a literatura machadiana, mesmo a brasileira como um todo, é tão difícil quanto qualquer boa literatura de qualquer país.
O que dá uma ideia de dificuldade, de inacessibilidade é o fato de não ser uma literatura de aeroporto ou de consultório dentário como são os jornalismos literários americanos vendidos como best sellers mesmo antes de serem tão vendidos (best sellers virou rótulo de produto como “sem lactose”, “sem glúten” ou “orgânico”; consumação obrigatória!).
Some-se a isso, o despreparo de professores, pedagogos e tutores da língua portuguesa e/ou literatura vernácula, a descontextualização histórica às custas de um pobre ensino dos diversos tipos de história nacional e mais todas as questões que os jovens copiam de outras sociedades numa espécie de compulsão inconsciente coletiva através de filmes, mídias, redes sociais. Realmente, não se lê a literatura brasileira, relegando-a a nichos acadêmicos específicos (às vezes, só às vezes,  penso que nem os formandos em Letras leem literatura brasileira de qualquer época... assusto-me com meus próprios pensamentos!). Que pena!  nos despersonalizamos e desnacionalizamos com capas de outros nacionalismos globais vigentes.
Entretanto, a maior parte da literatura de Machado de Assis foi publicada em folhetins¹, jornais populares da época e/ou revista de senhoras. Imagino as senhoras de papelotes nos cabelos em suas casas, tomando limonada e discutindo as últimas publicações folhetinescas de Machado e comentando sobre as peripécias de uma ou outra personagem - a insensatez de Helena, a dissimulação de Capitu, as loucuras de Virgília,  a submissão de Estela e outras. Ou, em casas de chá, depois das compras, lendo em conjunto a última publicação da Gazeta Mercantil, por exemplo: A Cartomante ou A teoria do Medalhão, tão desconcertantes na época. Por isso, é inconcebível que os nascidos no final do século XX ou no início deste século não consigam ler as obras de Machado ou de seus contemporâneos. É passar um atestado de ... deixemos para lá e voltemos a análise da narrativa machadiana pelo conto A Cartomante..
A Narrativa inicia-se com a citação de Hamlet de Shakespeare: “Hamlet observa a Horácio que há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.” Nesta única e primeira frase do conto está posto e resumido o conteúdo de todo conto. Logo de início, Machado vai deixar em aberto qualquer postura em defesa desta ou daquela crença, sem tomar partido algum, sabiamente conduzirá o leitor a tirar suas próprias conclusões. Entretanto, o mote foi colocado: não se deixa levar por ideias fixas e pré concebidas, abra-se às possibilidades da existência.
Assim, desenvolve o conto, apresentando as personagens envolvidas na questão além da tal cartomante. São três e formam um triângulo amoroso. Vilela, Camilo e Rita que em alguns minutos viverão uma pequena tragédia – “três nomes, uma aventura e nenhuma explicação.”
Os dois personagens masculinos são amigos de infância. Vilela casa-se com Rita e Camilo... “uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade”. Assim, de forma bem econômica e clara, Machado resume a relação entre os três personagens ficcionais. Como todo adultério e triângulo amoroso não ficam entre quatro paredes e atravessam assustadoramente até ruas e bairros, o caso entre Camilo e Rita é sabido, com exceção de Vilela (óbvio, para não fugir à tradição do cônjuge traído).
E como ficamos sabendo disso? Machado nos dá a conhecer de alguns bilhetes escritos a Camilo evidenciando a situação. Rita consulta uma cartomante  e tranquiliza-se. Camilo continua a receber mais alguns, mas Rita desencoraja-o a tomar qualquer atitude junto ao marido com o argumento: “a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo” , fazendo o amante concluir que deveria ser de algum pretendente enciumado dela. Mas ele, assustado,  afasta-se um tempo da convivência do casal e retorna atendendo ao apelo do amigo que lhe estranha a ausência. Até aqui, Machado mostrou o quadro de toda a situação. Com frases "emblemáticas" revela ao leitor o "estado" em que as relações estão.
Num determinado dia, Camilo recebe o aviso de Vilela – “Venha já, já, à nossa casa, preciso falar-te sem demora.” Inicia-se o clímax do conto. É a partir daí que o autor vai desenvolver sua teoria exposta no início da narrativa, apresentando pequenos fatos ou detalhes que conduzem não apenas a personagem, mas o leitor também. Todas as emoções vão passar pelo corpo e mente de Camilo e, de forma bem resumida, o narrador nos dá a conhecer quase todas: especulação, antecipação de fatos, inquietação, nervosismo e medo. A narrativa muda de tom para um thriller. Uma carroça vira e impede a passagem do tílburi que estanca exatamente em frente ao sobrado da cartomante. Machado conduz a narrativa cuidadosamente para que o leitor sinta a mão do destino através das coincidências circunstanciais. Parece que tudo está determinado ou o acaso está atuando como num lance de dados.
O encontro de Camilo com a cartomante é cheio de evasivas. A história se desenrola mais na cabeça do leitor que realmente pelas palavras da narrativa. As cartas nada revelam que já não possa ser “lido” no rosto da personagem. A leitura da cartomante é construída pelo diálogo sucinto entre os dois. E como à cartomante interessa mais o dinheiro que a veracidade de seu ofício, ela satisfaz o cliente dizendo o que ele espera ouvir. Qualquer interpretação além disso pode ser possível, mas sem apoio claro do autor.
No final, consuma-se a tragédia. Tragédia sim,  pois Camilo atende ao chamado de Vilela sem expectativas negativas, sem nenhuma defesa, pois ele deduziu o que não lhe foi dito no sobrado da sibila.  Tragédia dramática porque acaba em mortes o conto que começou com especulações filosóficas. Entretanto, não podemos esquecer que em Hamlet, as mortes também se sucedem, embora a intenção seja o questionamento existencial do príncipe. Mas isso é assunto para outra crônica literária.
Enfim, um conto simples, de época, mas atual, pois adultérios, vinganças, mortes de amantes e consultas a oráculos ainda hoje estão presentes na literatura atual como no dia a dia dos moradores deste país. A linguagem não é rebuscada, ao contrário, simples com um ou outro termo que um simples dicionário, mesmo on line resolve. Este e outros contos machadianos são imperdíveis para uma reflexão metafísica e uma ilustração geral de qualquer cidadão escolarizado e que pretende ingressar nos níveis superiores não só escolares, mas da vida.


sábado, 7 de novembro de 2015

Romeu e Julieta: amor ou poder?



É comum considerar essa tragédia de William Shakespeare como versando sobre o amor, o amor impossível ou outras qualificações acerca de amores não realizados. Mas se lermos com mais atenção, vamos perceber que não se trata de uma tragédia amorosa e sim de uma tragédia sobre poder, sobre a desobediência ao poder. O pretexto para se pensar essa questão é o frágil amor adolescente, mas a reflexão mais profunda e atenta é sobre o conflito entre o poder político  instituído (realeza) e o poder econômico.
O tema do amor é tratado de forma displicente, a princípio, pelo autor da tragédia. Romeu que é um Montecchio já aparece em cena apaixonado de outra jovem que não chegamos a conhecer a não ser pelas falas do rapaz amoroso. Mercúrio, parente do príncipe de Verona que governa a cidade – um principado – é a antítese de Romeu, opondo sempre o discurso apaixonado de Romeu ao seu, que em geral  banaliza as relações amorosas, as paixões desmedidas, os amores impossíveis.
Da mesma forma, Julieta Capuleto, família inimiga dos Montecchio, tem como antagonista sua ama, mulher prática, vivida que não crê em paixões de alma, em amores à primeira vista e sim nas realizações carnais que levam a uma satisfação imediata. A ajuda que ela dá à jovem é para a realização prática desse amor.  Uma visão de mundo bem comum que se opõe em contraponto à visão idealizada de menina inexperiente e ingênua que é Julieta, despreparada para a vida.
O quadro se põe da seguinte forma: Romeu está apaixonado de Rosalinda, parente dos Capuletos e Julieta está sendo prometida a Páris, parente do príncipe de Verona. Os Capuletos estão dando uma festa e os Montecchio, óbvio, não são convidados, mas Romeu e seu primo vão assim mesmo, como “penetras”. Quando os olhos de Romeu batem sobre a figura de Julieta, ele imediatamente se esquece de Rosalinda, que nem é notada por nós pois não há mais menção alguma dela na festa. De repente, Romeu cai de amor por esta nova adolescente - Julieta Capuleto.Logo, se a peça de Shakespeare fosse sobre amor, nós poderíamos concluir da efemeridade das paixões, da finitude dos jovens amores, da inconsequência das palavras exageradas em juras de amor, do absurdo dos amores platônicos e das promessas que não se cumprem. 
 Na realidade, a peça é tensa por outro motivo e o clímax da tragédia está relacionado a um destino que não se pode fugir como uma catarse. Pois o trágico está fundamentado exatamente neste ponto – há uma desmedida (a hybris) e ela provoca um desequilíbrio. Este pede uma ação para que o equilíbrio se restabeleça. O elemento que restabelece o equilíbrio é determinado pelo que os gregos chamaram de moyra, destino que não se pode mudar e que tem que ser cumprido para o bem de todos, pois dele depende o curso normal da vida. Está feita a catarse (termo médico e filosófico que significa libertação, expulsão ou purgação). A persona escolhida para esta função é em si trágica e de forma alguma pode modificar, alterar ou negar o destino. Ela está predeterminada pela força da vida. Neste caso, duas pessoas estão envolvidas porque a persona catártica é o amor entre eles.
Embora concentremos nossos olhos românticos sobre as declarações de amor entre Romeu e Julieta, em particular na cena do balcão e na noite do primeiro encontro de amor consumado, as aparições (3) do príncipe de Verona são muito mais importantes e significativas para o desenrolar da tragicidade exposta.  Seus discursos não são longos e em cada aparição, ele chama à razão os envolvidos para a responsabilidade social que as famílias ricas da cidade têm e a obrigação de obediência a despeito da posição social que ocupam.
No primeiro discurso ele alerta que já 3 vezes tem vindo interferir e que punirá as famílias responsáveis pela desordem. No segundo, quando acontece uma morte – não trágica – que intensifica o desequilíbrio social, ele é mais enfático e pune uma das famílias, sentenciando Romeu ao exílio. Este é o ato que desencadeia a solução trágica. A desobediência ao poder maior deve ser punida, a paixão desenfreada, seja ódio ou amor, também deve ser punida, pois dela deriva a demência, a imprudência, a desmedida que provoca a desordem social.
A última aparição do príncipe de Verona é já no restabelecimento do equilíbrio pela morte dos representantes da paixão desmedida desequilibrante – Romeu e Julieta - o que nos confirma a tese de que a peça versa sobre o poder e não sobre amor.  Ele apura os fatos e no final diz: “Esta manhã nos trouxe paz sombria: esconde o sol o seu rosto de pesar, serei clemente ou rijo a contragosto, e esta historia há de viver na memória de todos – a história de Romeu e Julieta.” Encerra a cena, o ato, a peça. Cumpriu-se o destino e a tragédia. Retorna o equilíbrio da vida, na paz conseguida por força do poder constituído.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

PRINCÍPIOS DO NOVO PARADIGMA

Temos que parar de pensar pequeno, de pensar em restrições, de nos impor limitações. Tudo no mundo e no Universo é infinito e inesgotável. A propaganda político-econômica de todo e qualquer sistema faz crer que é limitado para manter o controle. A água é a mesma desde o início do planeta, os alimentos se multiplicam em proporções geométricas desde o início do século XX, tem ar para todos, espaço para todos e nada do que acontece nas grandes cidades se justifica senão por uma imensa estupidez humana, uma cegueira, uma inconsciência em meio a tanta informação e comunicação disponibilizada.
A questão é pensar em distribuição, pensar em disponibilizar, doar, partilhar, permitir, proporcionar. É preciso realmente planejar como queremos viver e incluir neste pensar todos. Os velhos modelos de pensamento, as velhas estruturas engendradas e as velhas ciências criadas por uma humanidade doente devem ruir para dar lugar a um novo paradigma: URGENTE!
Se produzimos um lixo gigantesco e pessoas ainda não tem o básico para sobreviver (comida, casa, conforto), há algo muito errado em nossa visão de mundo e no modo como existimos. Favelas, guetos, comunidades carentes não se justificam senão pelo antigo paradigma. Partidos políticos e religiões surgem e se sucedem há séculos e nada resolvem, não há discurso de solução e sim de administração (só se administra o que se quer manter). Ao contrário, mais manipulações, enganações, conflitos são gerados por cada nova igreja, cada novo deus, cada novo partido, legenda ou código normativo. Tudo isso bem justificado, noticiado e engendrado pelo quarto poder na terra - a imprensa. Vivemos a falência do humanismo, do iluminismo, não porque estas ideias sejam obsoletas ou não tenham soluções para todos, mas porque não queremos que elas vinguem, que elas prosperem, que elas resolvam enfim o problema da existência na terra, porque nos ensinaram a desprezar o planeta, a desprezar o corpo, a desprezar a vida física com conforto, a rejeitar a felicidade e o bem estar em troca de um paraíso imaginário, utópico, inalcançável, possível apenas post-mortem ou em algum outro lugar. E ainda que os partidos políticos sejam laicos (não é o caso em muitos países, onde religião e política se misturam numa pretensa teocracia, às vezes, fundamentalista), os céticos, os ateus corroboram o mesmo sistema de pensamento, pois são subprodutos da mesma linha ideológica - manutenção de um só modelo, administração dos problemas e injustiças. A Ciência que confirma a religião é bem aceita e apoiada, a que contesta é considerada como falsa e louca, desprovida de objetividade e cientificidade. É como no Processo de Kafka: estamos condenados, sem saber porque, a uma vida de prisão. O processo rola pelas nossas vidas e inconscientemente vivemos esta peça como marionetes. E ainda temos que aturar as distopias ufodoidas confirmando o mesmo sistema da terra: poder, guerra, manipulação, maldade, inconsciência. Arre! que isso parece não ter fim! Qual a diferença entre dividir o mundo entre deus e o diabo ou entre pleiadianos e reptilianos? Esta maneira de pensar só confirma o dualismo maniqueísta onde nos inserimos há séculos: preto X branco;bom X mau; luz X escuridão, saúde X doença... A verdade é totalmente outra. Podemos enumerar alguns tópicos fundamentais para resgatar o pensamento verdadeiro da origem de nossa existência e nosso propósito nesta viagem sem fim:
1. Só existe uma fonte de tudo. Onde não se vê luz é porque não se tem matéria que a reflita, pois a verdade é que a luz é invisível, logo, a luz está em todo lugar e as trevas são uma ilusão de ótica. A Luz/energia é a única coisa que é e tem existência. Portanto, por extensão, o mal não existe, é apenas uma ausência de bem, ou seja, uma impressão visual/mental da realidade (assim como doença é ausência de saúde, pobreza é ausência de riqueza, etc). Quem personifica o mal, a falta, a ausência é o homem criador de todo seu mundo louco. Porque sim, o homem é um ser criador e isto não é só mitologia, é fato. Olhe em volta! As graduações desta única fonte nos permite perceber as nuances de tudo, pois assim é a vida - uma miríade de nuances.
2. O universo não exclui nada, logo não existe morte, fim, término, exclusão, discriminação, etc. Outra ilusão coletiva aprendida e perpetuada pelos sistemas institucionais da sociedade (família, escola, igreja, ideologia). Portanto, a eternidade, a perenidade, o contínuo, o infinito é de fato uma característica universal em que estamos inseridos. Logo, não há extinção e sim continuação e renovação. Mesmo quando se pensa em extinção de espécies, o que existe é a renovação.
3. Tudo é um e diverso simultaneamente. Somos 7 Bilhões de seres da mesma espécie, em diversas cores como pássaros, flores ou borboletas.Como ondas de um espectro, temos uma vibração única e geral. Somos todos como uma onda energética, colapsados em instantes em que fazemos nossa trajetória, nossa(s) escolha(s). Logo, não há caminho, fazemos caminhos ao caminhar. A multiversidade infinita está estampada e exposta na nossa cara na Natureza, que não se esgota de multiplicar todas as espécies. Quando o homem pensa que estudou tudo, que catalogou tudo, a Natureza surpreende com o novo e diferente! Não há raças expostas em cores, mas uma só raça - a raça humana terrena. Pode haver outras por este universo a fora, mas serão multi-raças da grande raça do universo. A possibilidade de multiversos também é bem provável.
4. O espaço não existe como imaginamos. É uma questão de vibração que nos insere em alguma dimensão. No momento, criamos a 3D e vivenciamos a 4D (chamada de tempo embora não seja).  Não existe em cima, nem embaixo a não ser naquilo que criamos em matéria que é o colapso tridimensional da energia multidimensional.  Não há um lugar para ir, nem quando nos projetamos em mente, consciência ou outro meio. Tente se localizar desta forma no espaço além terra. Tente localizar-se mentalmente numa viagem psicodélica. Questione-se: onde você está quando coloca uns óculos rift? Logo não há céu ou inferno, nem paraíso em lugar algum. Tudo está e é aqui e agora, neste pontum momentum.
5. O tempo não existe. Embora o homem tenha criado relógio e calendário para medir e marcar seu percurso pela terra, em verdade o tempo não tem existência possível por ser um construto (idéia) ilusória da mente. Tudo está em constante movimento, e esse movimento, esse pulsar dá uma sensação de deslocamento, de antes e depois, de lá e cá, de linearidade. Até a linguagem que utilizamos hoje é expressa e compreendida assim. Nossos cérebros estão condicionados da esquerda para a direita. O tempo é uma sensação ilusória desta mente racional que lineariza o que não é reto nem contínuo. A inexistência do tempo já foi estudada e constatada da filosofia à ciência e ilustrada na literatura, no cinema e nas artes em geral. Só existe, no sentido de um colapso de onda, este instante presente.
Assim, se considerarmos estes 5 tópicos, se começarmos a dar atenção e meditarmos, refletirmos sobre eles sem preconceito, tentando perceber e vivenciá-los em nosso dia-a-dia, estaremos expandindo as nossas consciências e poderemos começar a criar diferente, um mundo novo possível e provável exatamente da forma como queremos.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

QUEM NASCEU PRIMEIRO: O OVO OU A GALINHA?



“O ovo é a alma da galinha.”
Clarice Lispector - Descoberta do mundo


Esta é a versão popular da milenar pergunta feita pelos seres humanos em busca da origem da vida – do mundo e de si mesmos. Filósofos e cientistas disputam a primazia da resposta pelo menos a dois milênios, cada qual puxando a solução para seu lado. Religiosos também se incluem com afirmações de dogmas ou mitos que nada esclarecem (quando não confundem mais), acenando a resposta com metáforas, analogias e imagens, a maioria criadas em tempos de pouco conhecimento e muito controle das almas humanas.
É certo que não há diferença entre as mitologias, seja hebraico-cristã, egípcia, nórdica ou outra – todas cumprem a mesma função de objetivar numa narrativa, uma resposta que sane a angústia de existir e a origem mesma da existência.1
Na verdade, a mais antiga mitologia data de 20.000 a.C. escrita em versos numa linguagem hermética e de difícil acesso pois o idioma não existe mais – o pré-sânscrito ou védico e que foi resumido nos Vedas mais modernos, mas que ainda são difíceis de ler e consta de 200 livros, a princípio que foram resumidos em 20 volumes, ainda difícil de entender.2
Mas se trouxermos a pergunta com sinceridade para atualidade, teremos que deixar de lado os discursos mitológicos e domáticos e sintetizar saberes de mais de um campo do conhecimento – a Filosofia, a Física Quântica, a Cosmologia, a Nova biologia entre outras. Todo discurso científico ou filosófico que envolva questões relacionadas a totalidades acaba por penetrar um terreno perigoso com risco de cair no lugar-comum dos chavões populares. Dentro da Filosofia temos que estar atentos à Metafísica e à Lógica de muitos autores que se debruçaram sobre a questão ontológica.

“A galinha olha o horizonte. Como se da linha do horizonte é que viesse vindo um ovo. Fora de ser um meio de transporte para o ovo, a galinha é tonta, desocupada e míope. Como poderia a galinha entender se ela é a contradição do ovo?
Clarice Lispector – Descoberta do mundo

Desfazer ou desconstruir mitos não é uma tarefa tão difícil, sendo fácil até, pois a linguagem do mito é de cunho político-religioso que não visa esclarecer, mas tem uma finalidade mais terapêutica, catártica, acalmando, controlando e mantendo a sociedade através da manutenção de uma psicologia infantil. Assim, a angústia da origem não provoca a náusea da existência.
A cosmogênese mais lida na atualidade é a da bíblia, livro cheio de contradições. Ou seja, o próprio relato mitológico se contradiz, ora afirmando uma coisa, ora afirmando outra. O livro do gênesis parece escrito por dois narradores que não se conheceram, pois o que um afirma o outro desdiz. E se compararmos com outros livros subsequentes, a coisa fica pior. Na verdade, parece uma colcha de retalhos, costurada por alguém que não se ateve no padrão dos retalhos; um quebra cabeças muito grande com peças repetidas mas que não se encaixem. Enfim, não se pode considerar como uma resposta plausível nem definitiva.
Atualmente, o que nos diz a Cosmologia – essa ciência nova, nascida na segunda metade do século XX? Há pelo menos duas teses/hipóteses que se contradizem mas que não foram nem aceitas nem refutadas de todo: a primeira é a de que o universo teve um início – o Big Bang e que lógico, terá um fim - o Big Crunch. Esta teoria se tornou mais popular pelo fato de corroborar muitas mitologias e ser do tamanho do cérebro humano – finita!
A segunda hipótese ou tese é a de que o Universo é infinito e eterno, sem começo nem fim corroborando a hipótese do incriado ou do sempre manifesto. Provaram que este universo está em movimento e também que pode se replicar em outros universos paralelos. Entretanto, nem uma nem outra hipótese pode ser comprovada empírica ou fenomenologicamente. Ao contrário, o processo científico de comprovação das hipóteses da Física, por exemplo, é através da matemática – uma disciplina abstrata criada pela mente humana e que falha no momento de comprovar elementos além terra. Depois de atribuir letras e valores a eventos ou premissas ou conceitos hipotéticos, monta-se uma complicada equação e o restante, ou seja, a solução, é uma consequência lógica inquestionável, porém nem sempre verificável!
Mas a questão proposta anteriormente diz respeito a ovos ou galinhas e serres humanos. Neste campo saímos da Cosmogênese e entramos na Antropogênese, também cheia de mitos e a Antropologia não é a ciência que a segue, e sim a Bilogia, especialmente a nova Biologia e outras congêneres.
Charles Darwin, naturalista inglês do século XIX é o mais popular, entre outros voltados para mesma questão, que propôs uma teoria evolucionista para o surgimento do homem e este então viria do macaco, mas o macaco... A partir da observação e constatação de algumas pássaros e répteis num ambiente que ele considerou primitivo – as ilhas Galápagos – ele deduziu a equação da evolução combatendo o criacionismo de cunho religioso. No entanto, a Origem das espécies de Darwin tem mais perguntas e dúvidas que respostas. No livro a Descendência do homem e a Seleção natural, ele faz afirmações insustentáveis e não menos desmistificadoras entre os homens e os símios (gorilas, chimpanzés e outros macacos). Darwin atribui esboços sutis de raciocínios e conceitos morais aos animais para criar um elo com os humanos. Porém, o estudo da evolução das espécies, embora precisando de uma boa crítica e continuidade, ajudou a combater a ideia religiosa e pseudo-científica da geração espontânea, sem causa substancial. Entretanto, a tese do inglês precisa de uma boa revisão.
Logo, caminhamos às cegas na solução da questão, mesmo com a Ciência. Até porque, a teoria de Darwin e Lamarck pretendem explicar uma evolução e nada falam com certeza sobre o surgimento da espécie humana, tendo em vista que o tal elo perdido que nos ligaria aos símios, continua perdido. Esta lacuna nos coloca no mesmo lugar, no ponto de partida para entender a nossa singularidade. Como afinal surgiu o Homem – a humanidade?
Falamos aqui de explicação da criação e este termo tem que ser entendido antes de voltarmos a nos debruçar sobre a questão. Criação pode ter o significado de causa a partir do nada quando não se conhece ou não se pode determinar o princípio que originou o efeito.3 Pode significar possibilidade ou eventualmente valor quando o efeito é inferior ao motivo. Todos pensam que a Criação é uma noção bíblica, religiosas, mas na realidade não se pode extrair dos textos uma causa no primeiro sentido – de origem, visto que sempre resta a indagação da origem da substância primordial.
Para aceitarmos a ideia de Criação a partir do nada semelhante uma aparição é preciso cessar a pergunta, pois como pode o Nada existir, e sendo Nada – coisa nenhuma – como pode dar origem a tudo? O conceito de deus é também bastante amplo e complexo que vai de um ser/algo todo poderoso e onipresente a um ser determinado e antropomorfizado, passando por um demiurgo que seria um ser intermediário a serviço de um maior e mais potente, mas a quem caberia o ônus da obra criadora. Também há a possibilidade de diversos seres poderosos – deuses – que estariam envolvidos neste processo, todavia tudo não passa de especulação mitológica de diversos momentos históricos. No próprio livro do Gênesis, o mito da criação do homem se expressa em dois momentos e de foma bastante diferentes.
Assim posto, dizer que “deus” é o criador ou que o Universo apareceu do Nada “existente” se equivale em proposição, resposta e dúvida. No caso de uma aparição ou de uma criação por um demiurgo a coisa fica mais complicada, pois podemos derivar da terra, de ossos ou mesmo da decisão inusitada de uma ameba mergulhada em uma sopa orgânica.
Ameba, barro ou macaco é fato que somos seres sexuados, logo a necessidade de dois seres originários de polaridades ou gêneros diferentes. E, considerando o segundo relato do gênesis, se Eva não tivesse comido o tal fruto proibido seguindo os conselhos de uma serpente bípede ou quadrúpede, nós não existiríamos. Afinal, a totalidade da criação pertencia a 2 seres de início e nada mais. Ainda que muitos cientistas não queiram desconsiderar a religião por diversos motivos – medo, perseguição política, discriminação econômica – o argumento mitológico não sustenta nem o início de uma investigação séria.
Como filósofa e poeta arrisco uma resposta especulativa para fomentar mais a hipótese que respondê-la, ainda que possa de fato argumentar: quem foi criado ou apareceu primeiro? A mulher, é claro! Pois nela estão contidos os óvulos iniciais da espécie. Ou seja, perguntar quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, incorre num erro de proposição com o uso do verbo nascer. Nascer pressupõe, ser gerado a partir de um elemento feminino. E a resposta mais óbvia a nossa proposição inicial é que seja a galinha, posto que nela está a promessa do ovo que dá seguimento à vida.

“ Os ovos cozinham na panela enquanto a galinha assa. No fundo, galinha e ovos se aproveitam como alimento.'
Clarice Lispector – Descoberta do Mundo

Bom, mas e o galo? Este fica um pouco de fora da equação, pois não fez parte da proposição inicial a ser examinada. Consideramos que a introdução do macho galináceo limita-se a manter a espécie em franca contradição ao patriarcado bíblico.
No fundo não é importante responder a questão da espécie humana a partir de um galináceo, símio ou de qualquer outra. Mesmo se considerarmos a genética, a semelhança entre o homem, o primata e um galináceo são bastante próximas. Sempre restará um elemento a refutar, sempre haverá um elo perdido. E a pergunta que não fazem é: se não houver nenhum elo porque não há cadeia que nos ligue aos animais? E se houver mais de nós por este universo com outras certezas que não temos como raça e vierem um dia nos contar? E se houver mais de uma origem, uma para cada raça atual? E as outras raças anteriores, tiveram a mesma origem?
O importante é o questionar para manter a expansão da consciência e do saber humanos. Responder não é importante, pois é como a vida, importa a travessia. Assim: “viajar é preciso, onde não é preciso”.
1 Conferir: Mircea Eliade em: Mito e realidade. SP, Perspectiva, 1987.
2 Conferir: Blavatsky, H. Doutrina Secreta – 7 vols. Pensamento, RJ, 1982.
3Conferir: Aristóteles em Metafisica.

terça-feira, 17 de março de 2015

QUEM TEM MEDO DE CRÍTICA?

A pergunta hoje é exatamente essa e creio que sem uma resposta rápida a contento. Mais urgente que no século passado, quando a crítica começou a tomar corpo e seguir tendências, a crítica hoje urge de desenvolvimento real. Não temos que perguntar maneiristicamente - quem tem medo de Virgínia Woolf - e sim, quem tem medo de Machado de Assis, grande literato e crítico do início do século XX.
A crítica tomou rumos interessantes hoje, no país, depois de uma longa ditadura que a perseguiu e dilacerou. Atualmente temos apenas duas versões: há a tendência da crítica que não critica e só elogia e a crítica raivosa no estilo Olavo de Carvalho que, quando fica sem argumentos, xinga, ofende, etc. Assim, ficamos excluídos do desenvolvimento do pensamento crítico, do desenvolvimento argumentativo e as falácias grassam pelas mídias, redes sociais, blogs, revistas e todo o meio de comunicação que se puder pensar e acessar.
A boa crítica se fundamenta na razão e não na emoção. Não se trata de gosto ou não gosto, mas de buscar fundamentos que expliquem e/ou justifiquem a proposta apresentada seja artística, política, jornalística ou da moda.
Em bom português dizemos: gosto não se discute, lamenta-se (quando muito!). Mas uma crítica não é questão de gosto, mas de fundamentação teórica para não dizer filosófica, de onde ela realmente deriva.
Interessante notar também que a filosofia de bar tem sido divulgada como a filosofia brasileira e cai-se novamente em outra dicotomia: ou é o meio acadêmico que publica suas ideias e as faz circular pomposamente pelas mídias, regulando isso e aquilo como se pudéssemos ter uma filosofia normativa, apontando o dedo aqui e ali, ou o sujeito sobe na mesa com um megafone e berra os nomes dos filósofos clássicos mais importantes da cultura ocidental e faz, não um samba em Berlim, que este já nos acostumamos a ouvir, mas um funk chinês na Tailândia!
E assim, a filosofia no Brasil tem se travestido de auto-ajuda, orientação para jovens perdidos sem formação alguma apesar de terem concluido 9 anos de estudo e, às vezes, até mais, coach para líderes em potencial (encubados), para empresários, para universitários, com direito a aparições na mídia global, junto a outros pseudo intelectuais que fizeram a vida como apresentadores de amenidades na TV.
Criticar é feio, aprendemos quando criança em casa, até mesmo desviando o olhar do diferente para não apreciarmos (corre o riso de adotarmos o diverso!). Na escola, dizem o mesmo e não nos ensinam como fazer, embora a crítica não desenvolvida e a falta de espaço para expressão dela gere o bullying inevitável. Se não sei conviver com a diferença, rechaço, destruo, expulso, simples assim. E diferente é tudo, pois não existe o igual, mesmo  numa tribo. A diversidade é nossa essência e aparência.
Criticar é pecado, dizem os religiosos, mostrando travas nos olhos e dedos em riste,  proclamando o dia, a hora e os integrantes do único tribunal aceitável para a humanidade. Mas os líderes desses caudilhos se imbuem muito mais de que uma leve crítica. Como não a desenvolvem, transmutam-na em intolerância e violência. Assim, guerras santas se espalham pelo país, se não em vias de fato ainda, pelo menos nos congressos e tribunais de inquisição do Supremo e outros, estimulando e destilando raiva, ódio pelo outro.
Criticar é negativo, apregoam os positivistas (não de Comte, mas dos seguidores do pensamento positivo), mestres de autoajuda, pseudo gurus e espiritualistas, pensadores da Nova Era (que até agora não mostrou nada de novo), banindo até a palavra do vocabulário comum das pessoas e incentivando uma aceitação de tudo unilateral e univocamente, que se expressa somente no que é menos (o vocábulo mais provavelmente foi banido junto com o termo crítica).
Enfim, quem tem medo de crítica? Os poderosos, os que estão no controle das massas, os que tiram proveito disso? Não. Todos, já que o grande intelectual, pensador e crítico Foucault evidenciou em seus trabalhos - o poder se estende pelas microvias economicamente e controla o incontrolável, sem esforço e sem despesas para o Estado. Está aí, no "meio da encruzilhada e do redemoinho."
Assim, temos um quadro do medo que cresce virando terror no país. E como filhos e descendentes de lusitanos que somos, conseguimos piorar as coisas e exageramos um pouco mais, destruindo toda e possível Ética e a até a boa educação - só ver em estádios e  videozinhos postados a baixaria com que se expressa a nata "intelectualóide" da classe média, desrespeitando o princípio básico da civilidade e da democracia.
Eu, que não tenho medo nem me amarro em jogos de consessão, mantenho a crítica afiada, embasada na boa Filosofia, especialmente na Retórica, na Poética e na Ética ao longo desses 2000 anos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

ORGULHO DA IGNORÂNCIA



É, realmente esse é um mote no Brasil. A maioria das pessoas são induzidas a pensar o contrário, falando, postanto em redes sociais, inclusive forjando autores a corroborar a máxima de que o orgulho mais abominável é o da Sabedoria. Então eu respondo com um argumento basicamente lógico, da lógica mais primária: se eu tiver orgulho do meu saber, ou seja, da sabedoria, eu tenho orgulho de alguma coisa. Agora, ter orgulho da ignorância é ter orgulho de nada, pois ignorância é ausência de saber, de conhecimento e até de informação.
O nível educacional no Brasil está vertiginosamente baixo, caindo há décadas e não é somente o PT o responsável, visto que vem caindo bem antes da era PT. O ensino público então, é brincadeira! A única exceção é dos colégios de elite ou os militares. E por quê? A pergunta é banal e a resposta é óbvia: CONTROLE, CONTROLE DE MASSA, IDEOLOGIA POPULISTA!
Simples, mas o tiro sai realmente pela culatra. O que fazer com esse contingente significativo no país de mal formados e de ignorantes? E não me refiro apenas aos adolescentes e jovens, falo dos diplomados em faculdades da enganação, do pagou passou, até mesmo das públicas atualmente, que com receio de ter as portas fechadas (ameaça dos governos federal e estadual) vão passando e diplomando ignorantes, néscios, incompetentes.... E não salva nenhuma carreira, nem mesmo as mais recentes, essa invencionice de gestão ou memo os cursos chamados politécnicos. Esses cursos sobejam pelas universidades e que são, no mínimo, de uma incongruência absoluta. Agora me responda alguém que sabe, que tenha alguma reflexão e bom senso de lógica: como gerir uma coisa que você não conhece? A gestão é consequência do saber de uma área específica e não um conhecimento a priori. Logo, cursar gestão sem ser formado é jogar dinheiro fora. Empregar uma criatura com este diploma, também! Votar numa pessoa que diz ter curso de gestão pública mas não tem outra formação, pior ainda.
REFORMA, REFORMA, REFORMA grita a minoria bem formada do país que sofre as agruras de conviver com a estupidez nacional. Faltam profissionais em todas as áres, por exemplo,  médicos que saibam realmente o que fazem, que tenham a vocação de curar, que dediquem-se à profissão com paixão e conhecimento de causa. A maioria é “escrevinhador de receitas” e de preferência os campeões da indústria farmacêutica. E o que os médicos ganham fazendo isso? Nem percentuais de venda, apenas amostras grátis, no mínimo para engrossaram as colunas dos viciados em químicas, dos lesados pelos efeitos colaterais de toda essas drogas. Campeões de venda – tilenol e rivotril!!!!ótima dobradinha para quem quer ficar sem fígado, mas numa boa! Notem: até a Alemanha que goza da máxima de ultraracionalidade está inaugurando a nova medicina germânica, que lança mão de novas pesquisas sobre os velhos métodos tradicionais e naturais de cura associados a mais nova pesquisa científica em torno do Física Quântica.
Mas não é especificamente de saúde que quero falar, mas de educação e no sentido mais amplo e específico do termo. Sim sem educação o povo age “sem educação”, ou seja, grosseiramente, torpe mesmo. Da atendente de qualquer comércio ao consumidor, o nível não muda. Do aluno ao professor, do paciente ao médico e assim por diante, a ponto de ser necessário escrever novas e pequeninas leis que prescreveriam se o povo soubesse se comportar, tratar bem o próximo...regras básicas de ética social.
Na ignorância, o povo não desconhece apenas seus direitos (gritam os defensores dos oprimidos de plantão!!!), eles desconheces seus DEVERES. Aliás, alguém sabe o que é isso, hoje em dia, já que as escolas não passam mais deveres para casa e sim dão temas para pesquisar como se o aluno/jovem/estudante não tivesse que cumprir os seus deveres! Nos melhores países de primeiro mundo/ricos/desenvolvidos isso não saiu de moda, ao contrário, da Europa à Ásia, diversos países têm carga horária escolar maior que a do Brasil e quantidade de trabalhos e pesquisas bem maior também. Veja, um aluno de fundamental na Ásia estuda 8 horas por dia, além dos trabalhos a cumprir em casa. No ensino médio, eles ficam 10 horas na escola. Compare às horas no Braisl e conclua você mesmo. Na Europa, os números são 6 e 8, inclusive canadá e EUA.
O mais famoso e atual matemático russo Edward Frenkel (45) comenta, fala, denuncia isso: o esvaziamento dos currículos é intencional. E vai adiante quando diz que, fora lendas urbanas ou conspiratórias, o interesse do maior e mais importante engenheiro do Google é “burrificar para dominar”, isto é, construir máquinas/computadores que dominem o homem. Assim, teremos uma humanidade dominada pelas máquinas, simples, sem violência. E o projeto da IA só se desenvolve ou pode se concretizar se a humanidade concordar em baixar o seu nível mental, porque é óbvio que se o homem cria a máquina, por consequência lógica e natural, a máquina jamais dominará o homem. O resto, é pura ficção científica. Aliás, teoria da conspiração, lenda urbana, hoax, boatos internáuticos, tudo isso é fruto de ignorância e apela para o sensacionalismo e manutenção do medo terrorista de estado.
E novamente voltamos a um ponto chave nisso tudo: a figura do professor/mestre. No Brasil, encheram as salas de aulas com maus professores, a maioria mal formada. Isso começou com os militares a mando do FMI e continua até hoje. Até mesmo o intelectual e sociólogo, ex-professor da Sorbonne, sr. Fernandinho Cardoso, vendeu-se a essa estrutura e fez o que pediam: esvaziar conteúdos, diminuir horas, descaracterizar o processo de aprendizagem, etc. Os governantes petistas que sucederam não fizeram o contrário disso e nem podiam, pois ocuparam cargos políticos, a turba de ignorantes e analfabetos que jamais se viu na História. Populismo sim, puro populismo imbecilizante que redunda em fundamentalismo e messianismos de norte a sul.
No meu último trabalho sobre o tema eu escrevi que era preciso coragem para mudar e isso foi há duas décadas atrás. Continuo dizendo e clamando: mais que coragem precisamos hoje de heroismo para mudar, embora seja bem simples a mudança. Mas como mexer nessa estrutura sem questionar os ignorantes que a mantém? Os Ministros e secretários, os pedagogos demagogos, e até os professores mal formados vão querer mudar, questionar sua ignorância, sua carência? Os alunos que clamam por mais educação, que foram às ruas porque mandaram-nos, com cartazes plenos de erros de ortografia e sem ao menos saber o que reivindicavam na realidade,  vão querer sentar horas nos bancos escolares, ler, prestar atenção, focar, cumprir tarefas, deveres, pesquisar, discutir, debater com verdadeiro conhecimento de causa e não com informações catadas aqui e ali em revistas e internet? Claro que não! Esta é uma batalha hercúlea!
Uma palinha da minha proposta de renovação: conteúdo básico e essencial, com língua materna e matemática, nas primeiras séries. Em seguida: língua materna, língua estrangeira (02 de preferência), um pouco de ética e estética e mais matemática. Só então, no ensino médio, aprofundamentos em ciências e conteúdos específicos. E mais língua materna, língua estrangeira, matemática e filosofia (ética, estética, política e ontologia). Pronto, está preparado um jovem para especializar-se no que quiser e contribuir para o país e a humanidade. Em tempo, ainda fundarei esta escola e provarei o que proponho.
Por hora, fica a minha denúncia aos manipulados pelo sistema. Orgulho do saber? Ssim, tenho e terei sempre porque sei de onde vim e para onde vou e o que faço aqui. Agora, me poupem, orgulho da ignorância é tema do capiroto, do capeta, do o-que-não-se-diz; e o caminho? Inferno na certa, ainda que o inferno não exista.