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Coragem para Mudar

A partir de alguns vídeos sobre o problema da educação no país hoje, decidi me posicionar mais uma vez - como professora, como mãe e como br...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Coragem para Mudar

A partir de alguns vídeos sobre o problema da educação no país hoje, decidi me posicionar mais uma vez - como professora, como mãe e como brasileira. Os filósofos/sociólogos de plantão (alguns nem filósofos de verdade são,mas se dizem!), os mais famosos, os midiáticos nunca tocam o dedo na ferida com medo de perder sua tão querida posição. A mídia idem! (A mídia, ai a mídia... terei que escrever alguns textos sobre a mídia de hoje!). Mário Sérgio Cortela entre outros foram questionados sobre a educação e a resposta é no mesmo teor de quem pega alguém "com a boca na botija": critica, mas elogia, bate, mas afaga, não é contra nem a favor, muito pelo contrário e a banda segue sua procissão! Apontam alguns problemas, mas saem pela tangente, com um discurso otimista acreditando numa mudança de gabinete!


Creio que o problema da escola hoje não seja apenas a defasagem do currículo ou professores mal pagos e mal preparados. Há também o caos social dentro da escola, excesso de bullying e desrespeito aos professores que na sua maioria são funcionários públicos mas que a lei não ampara. Ou seja, ninguém pode destratar um funcionário público seja em que serviço for, mas alunos podem gritar, fazer gestos feios, xingar e até bater em professores que não acontece nada. Eu digo: tirei meu filho da escola cedo por isso. Hoje ele está terminando o ensino médio à distância (não sozinho, é óbvio!) para fazer faculdade. Ele sofria bullying e via as professoras serem desrespeitadas e ninguém fazia nada. Eu sou professora, além de mãe e educadora em geral, e decidi retirá-lo da escola para o bem estar físico, emocional e mental dele. A escola está cheia de maus exemplos: traficantes e usuários de drogas, jovens sem educação revoltados sem causa, todos sexualizados demais, como se só houvesse isso no mundo, alienados, indolentes, afogados de mídia e desinformação, "vítimas" de um revolução tecnológica sem precedentes. A maioria destes jovens só vai para a escola para "se relacionar", fumar, beber entre outras coisas como se estivessem numa festa;  aprender e estudar que é bom, nada! (Parece discurso de velhinho reacionário, mas, infelizmente não é, É FATO!) Tive algum problema ao retirar meu filho da escola? Sim. Enfrentei o Conselho Tutelar e hoje vejo que foi a melhor atitude. Todos falam em reforma da escola, mas ninguém sabe que direção tomar, pois se  mudar  as regras do jogo agora, claro que muitos vão reclamar, protestar e ser contra. Mas num momento terá que acontecer, senão a nação vai cair em falência total. 
Durante o meu Doutorado em Letras, tive um trabalho bem acolhido no fórum do Chile sobre Educação. Aqui, nem consegui que fosse publicado ou mencionado. Chama-se Coragem para mudar (nada a ver com o livro da Vozes que saiu bem depois e não é de minha autoria). Neste trabalho eu analiso o problema curricular das escolas brasileiras e proponho uma mudança substancial. - de conteúdo e didática.  As questões sociais e de valorização do profissional viria depois, como consequência. 
Os países desenvolvidos e os que deram a volta por cima começaram pela educação. Exemplos: Coreia, Finlândia, Islândia, Suécia, Noruega e assim por diante. Agora eu pergunto: quem vai reciclar ou convencer professores a se reciclarem já que muitos são frutos dessa péssima educação/formação? A maioria só sabe reclamar de salários (não que não devam), mas quantos não "compraram" seus diplomas tanto quanto estão vendendo? Porque, se a pessoa teve um custo (de estudo e não apenas financeiro) para tirar seu diploma, essa pessoa vai exigir o mesmo, cobrar o mesmo de seu aluno. Mas se a pessoa apenas pagou para obter sua graduação, é claro que não tem "moral" para exigir nada! Logo, a reforma e a atitude substancial para se implementar este tipo de coisa foi a proliferação de cursos superiores de conteúdo mínimo e preço máximo, financiados pelo governo federal.  Quase 80% das faculdades particulares tem 1/3 do conteúdo das universidades públicas, considerando o mesmo curso! (Fiz alguns estudos comparativos de currículos entre as federais, estaduais e as particulares e o resultado é alarmante). Quais as melhores escolas particulares no país? as estrangeiras, somente; algumas católicas que ainda prezam pelas humanidades. Mas a questão financeira corrompe tudo, infelizmente.

Eu concordo que as reformas começaram com os militares, mas o governo civil só veio piorando a situação. Com o PT o quadro piorou bastante. O que esperar de um presidente semianalfabeto que odeia os diplomados? Um presidente que ao tomar posse falou asneiras o tempo todo, muitas fruto da sua total falta de cultura e conhecimento! Ele que disse que não precisava ir à escola porque já tinha televisão e internet! (O pior método de aprendizado é este, tão preconizado: autodidatismo à distância! É um cego guiando outro cego, ou
seja,  a si mesmo - só tem tropeço e queda! Ensino à distância só funciona para quem já tem uma base, sabe discernir, sabe pesquisar). Enfim, se negligencia a base, o edifício não fica de pé!
E a reforma não é complicada. Se a concentração maior do ensino fundamental for na base - língua materna, matemática e conhecimentos gerais básicos, a partir do 6º ano, pode-se introduzir os conteúdos com maior especificidade que  serão bem absorvidos. É preciso incentivar a pesquisa, a apresentação/construção do conteúdo e o debate. A leitura deve ser EN-SI-NA-DA em sala de aula, desde a leitura em voz alta à silenciosa, bem como a interpretação oral e escrita da mesma. Livros devem ser cobrados sim, e debatidos.  Se isso for realmente feito durante os primeiros 9 anos, o ensino médio será bem fácil de conduzir e tenho certeza que os jovens permanecerão na escola pois estarão participando da construção do conhecimento próprio e da sociedade. É preciso incentivar a participação voluntária como crédito no currículo, também. Ensinar língua estrangeira com qualidade, de verdade e incentivar à pesquisa em outras línguas, bem como leituras. Enfim, há muitas possibilidades que não estão sendo levadas em conta. A única coisa que se pensa é em colocar mídias e tecnologia nas escolas. Eu afirmo: isto não fará nenhuma mudança e corre o risco de piorar. De que adianta uma televisão na sala de aula no lugar do professor, se não tem filme/vídeo de conteúdo para passar? Que diferença faz para o aluno e o aprendizado deste se ele assiste um professor na tela ou fisicamente, na frente dele, a dar aulas?
Bom, precisava escrever, precisava desabafar mais uma vez. Faz anos que vejo a Educação caindo e, infelizmente, creio que ainda verei. Quando as pessoas deste país acordarão de verdade? Quando deixarão de estar deitadas em berço esplêndido (daqui a pouco, não tão esplêndido assim!).