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quarta-feira, 13 de abril de 2016

QUE LÍNGUA NÓS FALAMOS?



É comum o questionamento a respeito da nossa língua materna.  A maioria dos países colonizados na idade moderna tem a mesma questão. Foram os românticos que começaram com esse questionamento buscando uma expressão autóctone. Hoje, americanos, canadenses, latinos de língua espanhola e nós nos questionamos a respeito do nosso idioma. Alguns países da África e da Ásia também se voltam para esta pergunta fundamental que se relaciona com a identidade.
Se refletirmos que o ato de descobrir, conquistar, dominar e colonizar é tão velho quanto o mundo, mesma as chamadas línguas mãe da Europa ou do Oriente padecem com os mesmos questionamentos. O ato de dominar um país ou nação sempre foi acompanhado da afirmação e imposição do idioma do conquistador. Logo a língua é um objeto político de sujeição, afirmação, dominação como também de expressão, libertação, revelação. Dos romanos aos ingleses, dos árabes aos portugueses, dos persas aos espanhóis, todos impuseram sua língua e cultura no ato da conquista e da dominação. É o que chamam de colonização!
Um dos mitos mais antigos que se tem conhecimento que aborda essa questão é o mito da torre de Babel presenta na mitologia judaica e babilônica. Nele afirma-se que todos falavam uma só língua e que pela ousadia do homem de querer chegar aos céus para conhecer os deuses, foram punidos com o plurilinguismo e a tal torre enfim, não pode ser construída, já que cada trabalhador passou a falar uma língua. Os Astecas sustentam a história de que apenas um homem, Coxcox e uma mulher, Xochiquetzal, sobreviveram à inundação, tendo flutuado em um pedaço de casca de árvore. Eles encontraram terra e geraram muitas crianças que nasceram incapazes de falar, mas, posteriormente, com a chegada de uma pomba foram dotados de linguagem, embora a cada um tenha sido um modo de expressão vocal diferente. Assim, eles não podiam se entender uns com os outros.
Em toda região do globo há um mito explicativo a respeito da diversidade linguística.  Aí está todo o objeto da linguística histórica – afinal, tivemos mesmo um único idioma em tempos imemoriais?
Podemos afirmar que há duas correntes que se antagonizam no que tange às soluções. A corrente da unidade e a corrente da diversidade. A primeira visa unir todas as diferenças e escolher um ponto comum – standart – para que haja uma comunicação clara, uniforme e fluida entre os falantes em qualquer ponto da nação. É a corrente que defende a importância da gramaticalidade, da norma culta, do léxico apurado e da pronúncia correta. A segunda prima pela diversidade sem se preocupar com um horizonte de comunicação única. Valoriza as formas de expressão diferenciadas, os sotaques, os dialetos a fim de manter a variedade e os elementos históricos do(s) idioma(s). Visa também a manutenção do entendimento de documentos ou monumentos antigos para uma melhor reconstrução do passado de uma coletividade.
As duas correntes têm suas razões e seus argumentos bem fundamentados. Mas isso não justifica o que vemos acontecer hoje em dia nas salas de aula com o nosso idioma (que muitos oscilam em defini-lo como língua portuguesa ou língua brasileira). Toda língua tem seu uso formal e informal de acordo com a situação, ambiente e propósito. Em todas encontramos jargões, gírias, expressões específicas e falares de acordo com a classe social. A internet não é a origem desse fenômeno, apenas evidenciou e generalizou o fato. Mensagens rápidas economizam espaço e tempo; é comum que se abrevie e se economize na “fala”.  Porém, falar errado não tem nada a ver com o escrever no messenger, facebook ou whatsap numa forma contrata e descontraída.
Entretanto, esse fato – o abreviar as palavras, o escrever como se fala, as gírias – nunca impediu de se respeitar, conhecer e cultivar a norma culta para melhor transitar nas situações em que ela é essencial – fórum, faculdade, mercado de trabalho, etc. Para isso o ensino da língua materna é fundamental em qualquer parte do mundo. A escola é um espaço democrático que recebe todas as formas de expressão, mas visa transformar essa forma, burilar e aperfeiçoa para crescimento do indivíduo cidadão, visando seu crescimento pessoal e social.
A crise e a confusão gerada parte dos burocratas da educação e da política populista em voga atualmente em diversos países, não só no Brasil, mais confundem e bagunçam o sistema educacional e os currículos do que auxiliam com suas reformas massificantes, generalizantes e niveladoras por baixo. O populismo, infelizmente, está espalhado em diversos países do terceiro mundo e infestando o primeiro mundo também com sua ideologia de massa. Mas isso é intencional no sentido do controle e dominação de todos e não no sentido contrário como afirma a ideologia populista. Inclusão não é isso. Inclusão é acolher todo e qualquer indivíduo com sua cultura e expressão, mas dar a esse indivíduo os meios reais para participar da sociedade como um igual e conquistar um lugar no mercado de trabalho junto com os demais. O sistema de cotas é um elitismo disfarçado de inclusão.



E os professores? Alguns mal formados ou informados vão repetindo sem questionar esse procedimento que desintegra o idioma e a sociedade, pois uma nação é definida pela unidade de seu idioma. Há os inseguros, os desinteressados e os desesperados e todos nada fazem para mudar o atual estado do ensino da língua materna. Temem corrigir na fala e na escrita o próprio idioma, salvo quando se aprende uma língua estrangeira. Este fato dá o que pensar: por que eu corrijo um aluno que está aprendendo inglês, na pronúncia e na escrita e não o corrijo no seu próprio idioma?
 E os alunos são apoiados a afirmar sua inocente ignorância pelas falsas mídias que preferem uma juventude inerte e obsoleta que não consiga ler o próprio passado nem refletir o seu presente que uma juventude pensante, conhecedora e atuante que consiga construir um futuro melhor.

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