Meus avós viveram bem
comendo de tudo. Minhas tias-avós idem. Picasso fumou, bebeu, comeu
carne, teve filho aos 72 (perfeito) e morreu aos 90 anos lúcido,
ativo e cheio de bom humor. Meu padrinho morreu aos 88 anos lúcido,
sem doença alguma; comia de tudo, bebia e tinha o hábito de fumar
cachimbo quando lia ou escrevia. Tinha 3 doutorados, caminhava pelo
bairro, ia à feira depois que sua esposa morreu, também octogenária
(e saudável) conhecia e falava com todos e adorava o cartão
eletrônico.
Meu mestre de Aikido,
bebe cerveja, caipinrinha ou vinho quando lhe dá na telha. Fumou até
os 60 anos, toma café pingado e pão com manteiga (nada de margarinas ou becel) todas as manhãs
há décadas. Come carnes variadas junto com arroz e feijão. Adora pizza,
batata frita e bolinhos de qualquer tipo. Fez 80 anos e é
lúcido, flexível, não tem doença alguma, vai a festa quando quer
e dança que é uma beleza (já dancei com ele); aliás nunca o vi
nem resfriado. Tem um smartfone e se conecta com facilidade. Tem um
ótimo humor, acompanha as atualidades, lê de tudo um pouco e
aparenta ter 60. Segundo ele, ainda namora.


Tenho um amigo mineiro
que deve estar perto dos 100... 98 eu creio, morador de Caxambu. Ele
toma sua cachacinha, come torresmo, bebe leite e come queijo como
todo bom mineiro. Come doce em compota, baba de moça, feijãozinho,
arrozinho, carne de panela, galinha a cabidela, leitão a pururuca. Toma canja e sopa de galinha
gorda e segundo ele, 2 ovos todos os dias como Drummond que morreu lá
pelos 80 anos bem lúcido e ativo (que o diga Lygia Fernandes - a
amante dele). Tem um sítio onde cuida de um cavalo, algumas vacas,
porcos, galinhas, cachorros e um gato. Tem uma coleção de flores de
dar inveja e uma horta maravilhosa feita com as próprias mãos.
A semelhança entre
esses que conheci ou conheço ou que ouvi falar e tantos outros que
poderia encher páginas e páginas é a felicidade, o bom humor, a
leitura, o movimento ainda que não tão intenso, mas um caminhar
constante, um subir escadas, andar pela praia ou campo, dançar, etc.
A alegria de viver e produzir mantiveram todos eles livres de doenças
ou outros males. E não estou falando do século passado, mas deste
mesmo, neste mesmo momento. Nenhuma religião específica os mantém
ou manteve, alguns nem tem alguma numa profissão de fé na vida pura
e natural somente, fazendo o que ressoa com eles e permitindo que
cada um cuide de sua vida. E quando digo que eles professam uma
“religião” natural não me refiro a esta ideologia de
naturalistas, vegetarianos, vegans que se armam contra o mundo,
contra toda vida e sua alegria, apregoando e defendendo ideias
infundadas, algumas pseudo-científicas, outras de interesse
econômico e outras loucuras deste século, visando privar as pessoas de tudo que é bom em nome de uma saúde não comprovada.

Quantos sistemas
alimentares, dietas e medicinas temos hoje e quantas doenças surgem,
ressurgem, proliferam, males de todos os tipos, do corpo, da alma, da
mente... Quantas doenças criadas em laboratório, síndromes
inventadas por psiquiatras ou psicólogos, com argumentos falaciosos,
milhares de terapias e a humanidade se acabando em medo, terror,
angústia e muita ansiedade por si, pelo corpo, pela vida que leva... Mens insana in corpore insanus!

Na verdade, nenhum
alimento faz mal ao corpo se tomado em equilíbrio. Tomemos a água:
se ingerida de menos ou em excesso causa males, envelhecimento e até
doenças. E ainda tem que se considerar se a água é pura. Logo não é a água mas quem faz uso dela que é desequilibrado ou são. Hoje
insistem em fabricar alimentos não naturais com o nome de naturais e
induzir a compra e consumo dos mesmo. Mas se existe um mal ele pode
residir aí, na enganação, no engodo, no interesse dos
fabricantes. Essa ideologia virou uma mina de ouro! Ao mesmo tempo, tudo que é simples e natural é
depreciado e tomado como vilão. Carne (qualquer uma) é natural e boa para a saúde na medida correta, mas
divulgam que causa câncer, diverticulite, ansiedade, violência, desequilíbrio
hormonal, déficit diversos... A Índia é praticamente
vegetariana e mantem armas nucleares, vive em conflito com sirks e
mulçumanos no Paquistão, tem alto índice de mortalidade infantil e de doenças simples inclusive alto índica de anemia e escorbuto.

O leite é natural,
mas inventaram o leite longa vida cheio de aditivos estranhos, o
leite sem lactose que é outro veneno, leite com sabores, acréscimos
químicos, etc. Entretanto não há comprovação científica que ele
cause os males que lhe imputam nem que previna outros; é apenas
leite que se gosta de tomar à tarde com um bom pedaço de bolo ou à
noite, morno com canela para ajudar a dormir... O ovo também é tido
como um vilão e dos terríveis, causador de arteriosclerose, mal de
Alzheimer, colesterol alto, pressão alta, problemas cardíacos, o
que é uma grande mentira – que digam os comedores de ovos como eu!



Os cereais, as frutas
e os legumes também passam por este processo de vilanização. Vejam
o caso do trigo, alimento ancestral que originou o pão – alimento
básico em todo mundo – sendo acusado de causar alergias,
intolerâncias digestivas, problemas intestinais. Mas será o trigo
ou a mistura de trigo que contém: farinha de trigo enriquecida com
ferro e ácido fólico, açúcar, gordura vegetal, sal, farinha de
soja (1,5%), emulsificantes diacetil tartarato de mono e
diglicerídeos e estearoil-2-lactil lactato de cálcio. O
cidadão comum sabe o que é isso? Cada uma destas substâncias
declaradas provocam um efeito no corpo humano e todas favorecem a
fabricação e a comercialização, nada tendo que ver com melhoria
do produto. E o vilão mor é o glutén! Afinal, pão é farinha fermento e água, somente e o glutén sempre esteve presente não fazendo mal a ninguém. Todavia, o
fato de acrescentar gordura vegetal hidrogenada (e a maioria dos
produtos industrializados a tem, até sorvete!) revela quem é o
verdadeiro vilão do pão. Sabe-se que este tipo de gordura não é
metabolizado (quebrado) pelo organismo vivo, ficando acumulado nos
órgãos, pelas veias, entre os músculos e a pele formando os
famosos pneus. Nem todas as padarias usam gordura ou mistura, mas vai
saber? Mas, com certeza, a intolerância ao pão não vem do glúten
mas dessa parafernália. Afinal, ninguém fala de pizza sem glúten...

O mesmo vemos quando
revistas relacionadas à saúde divulgam pesquisas pagas pelas bolsas
de alimentos, de cereais, de futuro para acabar com um produto ou
valorizar outro. Então, num dia come-se beterraba, noutro ela faz
mal; num dia o alho salva, noutro ele condena o indivíduo à acidez
e outros males. As frutas também vão sendo manipuladas: cura do
limão, cura da toranja, cura do caqui, cura do tomate quando se tem
a intenção de escoar super safras. Tudo em nome de pesquisas de saúde.
Tenho saudade é do
bolo feito em casa, o da minha avó, de fuba, amarelinho, fofo, que
levava manteiga, ovos e leite sim, e nunca vez mal a ninguém. Sempre
foi e será mais natural que o vendido e empacotado com rótulos
light, diet, sem glúten, sem lactose, sem açúcar, mas cheio de
outras coisas que só um químico pode decifrar. Os biscoitos feitos
em casa também, mais naturais que o naturais das lojas naturais!
Aliás, um excesso de adjetivos óbvios para convencer do impossível,
rótulos apelativos tanto quanto as propagandas.

Sempre comi batata
frita feita em casa, almôndegas, hambúrguer e lasanha... Tudo feito
em casa, sem acréscimos e com carinho. Sou saudável e quando me
acometeram males a maioria foi de origem emocional, com certeza, ou
por me deixar levar por tanta (des)informação. Meus avós que
morreram de morte natural comiam comidas naturais: feijão, arroz,
massas, carne, peixe, ovos, frutas, legumes, etc... Mas não bebiam
refrigerantes, sucos prontos ou em pó (ainda que lights e diets), leites longa vidas, yogurtes
probióticos e não comiam salgadinhos, comidas prontas e congeladas,
enlatados e envasados. O que é mais incrível, consegue-se inúmeros
estudos contra o leite e quase nenhum sobre refrigerantes,
especialmente a coca-cola que até médicos receitam, do pediatra ao
geriatra. Logo, tudo é uma questão de discernimento, intuição,
observação e comparação – atividades que qualquer pessoa pode
fazer, ainda que nem tenha estudado muito.

A longevidade a custa
de drogas e remédios é uma uma grande mentira do sistema, não só
de saúde, mas de toda sociedade que aceita o engodo, a enganação.
Clínicas geriátricas, prolongando uma vida inútil só pra dizer
que vivemos mais hoje? Remédios, emplastros, suplementos... Programas paternalistas idiotizantes e
castradores da chamada terceira idade envergonharia qualquer um que
se diz humano na plenitude do termo. O que adiante viver sem poder andar, de fraldas, babando, sem energia pra nada, quase inválido, dependente de tudo como uma criança? É preciso definir Vida – sua
essência e qualidade para realmente saber se vivemos mais ou apenas
sobrevivemos como espécimes de laboratório para estudos científicos
e estatísticas absurdas que só incrementam a economia.
A Vida saudável se perpetua no sorriso ativo dos que tiveram seus cabelos cobertos pelo branco inverno ou caídos pelo outono das idades, mas que permanecem vivos com brilho nos olhos, participantes no mundo.