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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

UM ASTRONAUTA NO PLANALTO


Impressionada e satisfeita com a nomeação para uma das pastas dos Ministérios em brasília para o próximo governo sob a presidência de Jair Bolsonaro e seu vice Gen Hamilton Mourão, fui pesquisar a vida deste brasileiro que ocupará o Ministério da Ciência e Tecnologia.
"Marcos Cesar Pontes (Bauru, 11 de março de 1963) é um tenente-coronel da Força Aérea Brasileira (FAB), atualmente na reserva. 

Foi o primeiro astronauta brasileiro, sul-americano e lusófono a ir ao espaço, na missão batizada "Missão Centenário", em referência à comemoração dos cem anos do voo de Santos Dumont no avião 14 Bis, realizado em 1906. 


Em 30 de março de 2006 partiu para a Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo da nave russa Soyuz TMA-8, com oito experimentos científicos brasileiros para execução em ambiente de microgravidade. Retornou no dia 8 de abril, a bordo da nave Soyuz TMA-7.
Desde 2011, atua como embaixador da Organização da ONU para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO). 
Formou-se no Colégio Liceu Noroeste, em Bauru, estado de São Paulo, em 1980. Em 1984, recebeu o bacharelado em tecnologia aeronáutica da Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, São Paulo. Em 1989, iniciou o curso de engenharia aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, São Paulo, recebendo o título de engenheiro em 1993. Em 1998, obteve o mestrado em engenharia de sistemas pela Naval Postgraduate School, em Monterrey, Califórnia. Possui ainda bacharelado em administração pública pela Academia da Força Aérea Pirassununga. Foi agraciado com a Medalha Santos Dumont e com a Medalha de Ouro Yuri Gagarin, pela Federação Aeronáutica Internacional. Como piloto da FAB, tem quase 2 000 horas de voo em 25 tipos de aeronaves, entre elas F-15, F-16, F-18 e MIG-29. 
Ingresso no programa espacial
Em junho de 1998, foi selecionado para o programa espacial da NASA, para a candidatura a que o país tinha direito no programa espacial do governo estadunidense, pelo fato de integrar o esforço multinacional de construção da Estação Espacial Internacional.

Iniciou o treinamento obrigatório em agosto daquele ano no Centro Espacial Lyndon Johnson, em Houston. Seu grupo de treinamento número 17 da NASA foi apelidado de Os Pinguins. Em dezembro de 2000, ao concluir o curso, foi declarado oficialmente "astronauta da NASA".
Seu voo inaugural fora originalmente marcado para o ano de 2001, como parte da construção da Estação Espacial Internacional. Mais especificamente, o objetivo da missão seria transportar e instalar o módulo construído no Brasil (conhecido como "Express Pallet"). 
Problemas orçamentários da NASA forçaram, no entanto, o adiamento da missão para 2003. Ao se aproximar a data, persistentes problemas financeiros indicavam novo adiamento, mas o acidente que resultou na destruição do ônibus espacial Columbia, em fevereiro de 2003, suspendeu todos os voos da NASA por tempo indeterminado. Em 2011, foi indicado e assumiu o cargo de embaixador da Organização da ONU para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO). 

Em 18 de outubro de 2005, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmos) assinaram um acordo que possibilitou a realização da primeira missão espacial tripulada brasileira, batizada como "Missão Centenário", em referência à comemoração dos cem anos do voo de Santos Dumont.

Missão
Idealização, Definição Geral e Responsável Legal:
Agência Espacial Brasileira (AEB)
Conteúdo Técnico-Científico e Coordenação Geral:
Gerência do Programa ISS da AEB
Criação, Preparação e Análise de Experimentos:
Universidades, Centros de Pesquisas, INPE
Tripulação Escalada pela AEB:
1) Marcos Cesar Pontes – Brasil
2) Sergei Volkov – Russo (backup)
Objetivos
Fomentar pesquisas em microgravidade no Brasil
Divulgar o programa espacial
Homenagem a Santos Dumont
Motivar o futuro do programa – recursos humanos
Para os Russos, o astronauta brasileiro tem o sorriso de Gagarin. De acordo com o médico da Aeronáutica Luiz Cláudio Lutiis, que fez o acompanhamento da saúde do astronauta brasileiro, a direção da Agência Espacial Brasileira (AEB) "não ajudou no que deveria e atrapalhou no que podia" na preparação do primeiro voo para o espaço de um astronauta brasileiro". Lutiis afirmou que sem a ajuda da NASA o astronauta estaria isolado do mundo e que só estavam mantendo um contato decente via Internet com a ajuda da NASA.
No dia 20 de abril, Pontes foi homenageado na cidade de Brasília em solenidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), recebendo do então presidente a  condecoração da Ordem Nacional do Mérito.
Em 21 de abril de 2006, retornou à sua cidade natal de Bauru, interior do Estado de São Paulo, e foi recebido como herói por um público de mais de 5 mil pessoas, com direito a apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Posteriormente, participou de uma carreata no topo de um veículo do corpo de bombeiros, além de realizar uma palestra no Teatro Municipal.
Após seu retorno, solicitou a reserva da FAB, mas ainda trabalha para o programa espacial brasileiro. Ele continua com suas atividades no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas, e está à disposição para futuros voos espaciais brasileiros.
Em 18 de maio de 2006, de acordo com o Diário Oficial da União (DOU), foi publicada sua transferência para a reserva remunerada da FAB. O Brasil investiu cerca de 40 milhões de reais no projeto de envio de um astronauta brasileiro à ISS, aí incluídos o pagamento da viagem e os oito anos de treinamento na NASA.
No campo privado, tem atuado como professor e palestrante, promovendo consultorias a diversas empresas de pequeno, médio e grande porte, no Brasil e no exterior: Coach Especialista em Performance e Desenvolvimento Pessoal e Profissional, Professor e Pesquisador convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP-SC, Diretor Técnico do Instituto Nacional para o Desenvolvimento Espacial e Aeronáutico e Embaixador Mundial da WorldSkills International para o ensino profissionalizante, Embaixador no Brasil da Fundação FIRST para a promoção do ensino científico, Embaixador das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, Presidente da Fundação Astronauta Marcos Pontes. É agora, também, empresário.
Em julho de 2012, foi eleito um dos "100 maiores brasileiros de todos os tempos" em concurso realizado pelo SBT com a BBC de Londres.
Livros
Publicou quatro livros:
É Possível! Como transformar seus sonhos em realidade, lançado durante a 6ª Bienal do Livro de Campos, no dia 9 de novembro de 2010, em 21 de abril de 2011;
Missão cumprida, compartilhando suas ideias e sensações durante todos os eventos que envolveram os bastidores, a preparação, a execução, as polêmicas e os impactos da primeira missão espacial tripulada da história do Brasil;
O Menino do Espaço, traz de forma divertida e dinâmica a história do primeiro brasileiro a chegar ao espaço, focado ao público infanto-juvenil. A obra traz também uma parte especial para pais e professores e questões ocultas para todos aprenderem sobre o espaço brincando.
Caminhando com Gagarin: Crônicas de uma Missão Espacial."
(fonte: Wikipédia)
O que vemos que além de estudioso e dedicado, ele tem uma formação universalista, pois além da formação em engenharia e aeronáutica, tem outros cursos - administração e desenvolvimento pessoal. E ele também tem hobbies: violão, piano, desenho e aquarela, ou seja, seu espírito, sua sensibilidade não está esquecida. Não é um robô programado ou apenas um cumpridor de deveres e princípios. Ele pensa, ele sente...
 Tive a oportunidade de ler 2 de seus livros: O Menino do Espaço que conta com suas ilustrações e Caminhando com Gagarin. Estou ansiosa para ler os outros, especialmente o Missão Cumprida. E sem tietismo ou ufanismos bobos, o Brasil há tempos está precisando de pessoas assim. Formadas, atuantes, com história de responsabilidade e de trabalho. Chega desse discurso que basta a boa intenção e que saber ou diploma não é sinal de nada, que basta o saber da vida. Uma coisa não elimina a outra e, sim, é preciso sensibilidade e vivência mas é inegável que o conhecimento verdadeiro e não ideológico não traga isso.
Nunca, ao meu ver, que a ignorância, a má formação ou o desprezo pelo saber e o conhecimento levou alguém a algum lugar que não fosse a uma estagnação, a um empobrecimento, a um populismo que nivela a maioria por baixo e faz prevalecer o que tem de mais instável e vulnerável numa sociedade. O que percebo é que há décadas o Brasil vem caindo, descendo o nível de educação e não é à toa. O esvaziamento de conteúdos das escolas, os programas populistas de aprovação sem avaliação, aprovação por frequência e convívio social, traz em seu bojo o desprezo pelo cidadão comum. É como professora que escrevo, uma professora que desistiu do magistério diante da realidade brasileira. É um preconceito instituído pensar que uma criança ou adolescente, ou mesmo um adulto,  seja por questão social ou racial incapaz de aprender, de cumprir programas e metas. O que se tem cultivado, na verdade, são pedintes, mendigos do sistema que caminham falidos com a mão estendida para cotas, bolsas, esmolas do sistema e outros programas de migalhas sociais.
Enfim, admiro a nova escolha e que venham outras no mesmo nível.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Coragem para Mudar

A partir de alguns vídeos sobre o problema da educação no país hoje, decidi me posicionar mais uma vez - como professora, como mãe e como brasileira. Os filósofos/sociólogos de plantão (alguns nem filósofos de verdade são,mas se dizem!), os mais famosos, os midiáticos nunca tocam o dedo na ferida com medo de perder sua tão querida posição. A mídia idem! (A mídia, ai a mídia... terei que escrever alguns textos sobre a mídia de hoje!). Mário Sérgio Cortela entre outros foram questionados sobre a educação e a resposta é no mesmo teor de quem pega alguém "com a boca na botija": critica, mas elogia, bate, mas afaga, não é contra nem a favor, muito pelo contrário e a banda segue sua procissão! Apontam alguns problemas, mas saem pela tangente, com um discurso otimista acreditando numa mudança de gabinete!


Creio que o problema da escola hoje não seja apenas a defasagem do currículo ou professores mal pagos e mal preparados. Há também o caos social dentro da escola, excesso de bullying e desrespeito aos professores que na sua maioria são funcionários públicos mas que a lei não ampara. Ou seja, ninguém pode destratar um funcionário público seja em que serviço for, mas alunos podem gritar, fazer gestos feios, xingar e até bater em professores que não acontece nada. Eu digo: tirei meu filho da escola cedo por isso. Hoje ele está terminando o ensino médio à distância (não sozinho, é óbvio!) para fazer faculdade. Ele sofria bullying e via as professoras serem desrespeitadas e ninguém fazia nada. Eu sou professora, além de mãe e educadora em geral, e decidi retirá-lo da escola para o bem estar físico, emocional e mental dele. A escola está cheia de maus exemplos: traficantes e usuários de drogas, jovens sem educação revoltados sem causa, todos sexualizados demais, como se só houvesse isso no mundo, alienados, indolentes, afogados de mídia e desinformação, "vítimas" de um revolução tecnológica sem precedentes. A maioria destes jovens só vai para a escola para "se relacionar", fumar, beber entre outras coisas como se estivessem numa festa;  aprender e estudar que é bom, nada! (Parece discurso de velhinho reacionário, mas, infelizmente não é, É FATO!) Tive algum problema ao retirar meu filho da escola? Sim. Enfrentei o Conselho Tutelar e hoje vejo que foi a melhor atitude. Todos falam em reforma da escola, mas ninguém sabe que direção tomar, pois se  mudar  as regras do jogo agora, claro que muitos vão reclamar, protestar e ser contra. Mas num momento terá que acontecer, senão a nação vai cair em falência total. 
Durante o meu Doutorado em Letras, tive um trabalho bem acolhido no fórum do Chile sobre Educação. Aqui, nem consegui que fosse publicado ou mencionado. Chama-se Coragem para mudar (nada a ver com o livro da Vozes que saiu bem depois e não é de minha autoria). Neste trabalho eu analiso o problema curricular das escolas brasileiras e proponho uma mudança substancial. - de conteúdo e didática.  As questões sociais e de valorização do profissional viria depois, como consequência. 
Os países desenvolvidos e os que deram a volta por cima começaram pela educação. Exemplos: Coreia, Finlândia, Islândia, Suécia, Noruega e assim por diante. Agora eu pergunto: quem vai reciclar ou convencer professores a se reciclarem já que muitos são frutos dessa péssima educação/formação? A maioria só sabe reclamar de salários (não que não devam), mas quantos não "compraram" seus diplomas tanto quanto estão vendendo? Porque, se a pessoa teve um custo (de estudo e não apenas financeiro) para tirar seu diploma, essa pessoa vai exigir o mesmo, cobrar o mesmo de seu aluno. Mas se a pessoa apenas pagou para obter sua graduação, é claro que não tem "moral" para exigir nada! Logo, a reforma e a atitude substancial para se implementar este tipo de coisa foi a proliferação de cursos superiores de conteúdo mínimo e preço máximo, financiados pelo governo federal.  Quase 80% das faculdades particulares tem 1/3 do conteúdo das universidades públicas, considerando o mesmo curso! (Fiz alguns estudos comparativos de currículos entre as federais, estaduais e as particulares e o resultado é alarmante). Quais as melhores escolas particulares no país? as estrangeiras, somente; algumas católicas que ainda prezam pelas humanidades. Mas a questão financeira corrompe tudo, infelizmente.

Eu concordo que as reformas começaram com os militares, mas o governo civil só veio piorando a situação. Com o PT o quadro piorou bastante. O que esperar de um presidente semianalfabeto que odeia os diplomados? Um presidente que ao tomar posse falou asneiras o tempo todo, muitas fruto da sua total falta de cultura e conhecimento! Ele que disse que não precisava ir à escola porque já tinha televisão e internet! (O pior método de aprendizado é este, tão preconizado: autodidatismo à distância! É um cego guiando outro cego, ou
seja,  a si mesmo - só tem tropeço e queda! Ensino à distância só funciona para quem já tem uma base, sabe discernir, sabe pesquisar). Enfim, se negligencia a base, o edifício não fica de pé!
E a reforma não é complicada. Se a concentração maior do ensino fundamental for na base - língua materna, matemática e conhecimentos gerais básicos, a partir do 6º ano, pode-se introduzir os conteúdos com maior especificidade que  serão bem absorvidos. É preciso incentivar a pesquisa, a apresentação/construção do conteúdo e o debate. A leitura deve ser EN-SI-NA-DA em sala de aula, desde a leitura em voz alta à silenciosa, bem como a interpretação oral e escrita da mesma. Livros devem ser cobrados sim, e debatidos.  Se isso for realmente feito durante os primeiros 9 anos, o ensino médio será bem fácil de conduzir e tenho certeza que os jovens permanecerão na escola pois estarão participando da construção do conhecimento próprio e da sociedade. É preciso incentivar a participação voluntária como crédito no currículo, também. Ensinar língua estrangeira com qualidade, de verdade e incentivar à pesquisa em outras línguas, bem como leituras. Enfim, há muitas possibilidades que não estão sendo levadas em conta. A única coisa que se pensa é em colocar mídias e tecnologia nas escolas. Eu afirmo: isto não fará nenhuma mudança e corre o risco de piorar. De que adianta uma televisão na sala de aula no lugar do professor, se não tem filme/vídeo de conteúdo para passar? Que diferença faz para o aluno e o aprendizado deste se ele assiste um professor na tela ou fisicamente, na frente dele, a dar aulas?
Bom, precisava escrever, precisava desabafar mais uma vez. Faz anos que vejo a Educação caindo e, infelizmente, creio que ainda verei. Quando as pessoas deste país acordarão de verdade? Quando deixarão de estar deitadas em berço esplêndido (daqui a pouco, não tão esplêndido assim!).


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O que é educação, afinal?



Educação é o ato de educar, o que não nos diz muito, mas sabemos que é  muito antigo. Sempre fomos educados por alguém e no sentido amplo, esta tarefa era responsabilidade dos pais, família, aldeia, tribo ou tutores. Ou seja, a educação começa em casa.



A educação formal, dita escolar, para aquisição de conhecimento é também um instituição antiga na História da Humanidade. Na Grécia, ela envolvia mente e corpo – mens sana in corpore sano – e já contava com diversas teorias. Desde Pitágoras a Aristóteles e tantos outros, a Grécia é o berço de nossa civilização não apenas por ter “inventado” a Filosofia, mas a educação formal com programa – aritmética, geometria, música, gramática, dialética, retórica, astronomia e, claro, a Filosofia.  Em Roma, apesar de se apoiar no modelo grego, havia algumas diferenças (com punições e castigos corporais). Entretanto, a base das disciplinas era exatamente as que compuseram o famoso elenco escolar da idade média e que estruturaram por séculos saberes, descobertas e invenções.
 Com o advento do Cristianismo, no ocidente, a educação passou a ser responsabilidade da igreja católica. Houve uma redução da oferta de ensino, restringindo aos clérigos e nobreza que permitia ou não que uma mulher estudasse. Os tutores geralmente eram padres. Com o Renascimento, surgiram escolas diversas, retomando o humanismo clássico. Reformas se seguiram e algumas mudanças sensíveis também. Mas, grosso modo, a base educacional ainda era a mesma, pois se considerava a base para desenvolver qualquer outra coisa. As artes liberais eram ensinadas pelos artífices, mestres-artesãos. E toda uma civilização foi desenvolvida e criada a partir de um ensino simples.
Mas foi com a revolução burguesa (francesa) que a escola para todos, de caráter público, (re)começou. E surgiram os professores profissionais, para ensinar os conteúdos que formavam a base do seu currículo. No começo ainda era simples o currículo e não passava de 7 matérias. Hoje chegamos a 10 ou 13, porém totalmente vazias de conteúdo se considerar um século atrás. O que meu avô e avó aprenderam em termos de língua, matemática, geografia e história não se cobre nem no ensino médio. A caligrafia deles era uma obra de arte.
Não pretendo fazer apologia do passado, ou desenvolver o tema saudosistamente. É um fato, constata-se que hoje, um aluno entra no ensino médio mal sabendo ler a própria língua muito menos outra ou outras. Não conseguem ler e interpretar livros de 40 ou 50 anos atrás. Consideram tudo difícil  e os professores, como mero burocratas a serviço do sistema em troca de um irrisório salário, compactuam com esse estado de coisas. É sabido que o número de analfabetos funcionais cresce e não diminui ainda que se construam escolas e mais escolas.
O sentido da palavra educar vem do latim ex-ducere – fazer desabrochar. Podemos comparar a ação de educar com a ação de cultivar. O indivíduo é uma semente e como tal, traz dentro de si todo potencial da árvore adulta, ou seja, do ser adulto consciente de si e do mundo. Entretanto, em raríssimos momentos  educadores cumpriram esse papel de cultivar o ser para que ele desabroche num ser adulto saudável. Trata-se de um processo trabalhoso e cuidadoso, pois não se pode colocar água, sol, vento e adubo em quantidades iguais nas plantas, pois uma difere da outra.
Ainda que possamos afirmar que o mundo hoje é o que é e tem o que tem devido a homens que foram criados nos mais diversos modelos, é fato, que em algum momento eles despertaram.
O Brasil já passou por diversas fases de educação e atualmente, temos mais teorias que práticas. A escola pública não é uma referência, infelizmente. O esvaziamento dos conteúdos escolares, da função do professor, a abolição da reprovação e de uma recuperação de conteúdos decente, o excesso de supervisores, pedagogos, gestores opinando sobre o ato docente, a burocracia hipócrita das estatísticas transformaram a educação num caos, e salve-se quem puder.
As consequências de todo esse processo  já estamos sentindo na sociedade, no comportamento dos adolescentes, nos adultos mal formados com relação ao saber local e  do mundo. Podemos ser uma potência, temos riqueza e tamanho, mas nossa população sofre de inanição no que tange a todo o processo educacional – formal e informal.
Ainda que a desculpa geral seja – é assim mesmo, são as novas gerações – podemos afirmar com certeza que não. Basta olharmos para a educação no mundo, hoje, em diversos países para perceber  o crescimento e a transformação conseguida a médio e longo prazo. Países menores e menos ricos que investiram em educação formal com rigor, hoje apresentam grandes possibilidades e no mínimo, uma sociedade participativa e atuante, no sentido da construção e manutenção do essencial histórico.